sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Amargura por extenso

O preço caro da beleza
Um merdeiro que se preze não sabe a hora de parar. Não existem limites para quem faz merda compulsivamente quase que inconscientemente. Se é real a possiblidade de fazer algo que vai ser constrangedor, traumatizante ou perturbador, isto será feito. Principalmente se há uma potencial chance de ser os três ao mesmo tempo e mais alguma coisa.
- Para de frescura – ela disse uns 15 anos atrás. – Isso não é coisa de viado! É questão de higiene e fica esteticamente melhor.
Nenhum desses dois argumentos foi suficiente para me convencer a passar máquina nos pentelhos. Cabeça de homem é uma merda! Para mim, aparar os pentelhos era coisa de viado. E o problema de higiene era facilmente resolvido com sabonete e muita água.
- E acredite – ela completou com ar sério. – Seu pau vai parecer maior.
Pronto, estava convencido. Cadê a máquina? Não pensei duas vezes. Passei máquina na parte de cima, nas laterais, no saco, nele todo. Foi um desmatamento completo a dar inveja a qualquer fazendeiro do Pará. No chão do box, a cena era de um abraço coletivo dos Jackson 5 olhado de cima. Quanto ao tamanho, não existia mentira. Ele parecia maior, praticamente o dobro do tamanho, impressionantes seis centímetros.
Como era de se esperar, ela disse apenas as vantagens. Claro! Não se convence alguém falando os pontos positivos e logo depois comentando que vai ter uma coceira infernal por horas. E foi isso que aconteceu. Fiquei me coçando sem parar. Coçava com as unhas, régua, caneta Bic, esfregava a calça jeans diretamente nele. Jogava água gelada, água quente, água com vidro moído, qualquer coisa para tentar diminuir aquela sensação desesperadora. A vontade era arrancar a minha pélvis fora e instalar um funil no lugar.
Passados dois dias, a sensação terminou. O resultado era de fato muito melhor. Antes, tinha um druida tentando fugir da mata, agora, ele estava em um gramado bem cuidado. Se tivesse braços, poderia comparar com a cena da Julie Andrews dançando e cantando em A Noviça Rebelde. Decidi que manteria aquele padrão estético, mesmo com o sofrimento da coceira que, depois, descobri que com o tempo ficaria cada vez menor.
- Olha só – disse outra mulher para mim alguns anos depois da experiência citada. – Isso deve ser bom.
Ela se referia à cena de um filme pornô que estávamos assistindo. Basicamente, a mulher em cena lambia o saco do ator. Fiquei surpreso, pois ela tinha feito exatamente aquilo na noite anterior. Resolvi perguntar a diferença.
- Ah olha bem – ela falou apontando para a tela. – O dele é lisinho! Deve ser muito bom!
Peralá! Estávamos agora falando de algo muito mais delicado. O cidadão do filme não tinha um pelo sequer no playground dele. Saco, pau, entorno, tudo liso. Aquilo já era demais. Não que me incomodasse em parecer um ator pornô, ser aparentemente aleijado e bem definido soava uma boa ideia. Mas liso não rolava.
- Você está louca? Sequer passo lâmina de barbear no rosto que é liso porque sempre me corto! Imagine em uma área irregular, oculta e sensível!
No curto tempo que demorei em pronunciar essas palavras consegui me imaginar em diversas posições constrangedoras para acessar algumas áreas que deveriam ser raspadas. Todas as posições envolviam abertura de pernas, levantamento de rabo e outras elasticidades que não possuía. Sem citar os jatos de sangue que iriam voar para todos os lados após um menor movimento mal calculado.
- Não precisa disso, seu bobo – ela disse rindo. – Basta depilar com cera. Existem profissionais para isso.
Não sei se o comentário foi fruto de alguma limitação cognitiva dela, mas quando você alega que não vai fazer algo por não querer ficar na posição arreganhada, sugerir como solução ficar arreganhado na frente de outra pessoa não é uma boa ideia. Tão pouco uma solução que envolva arrancar os pelos em tufos de uma só vez. Para mim, aquela opção era impossível. Sabe o que mais era impossível? Negar um pedido feito enquanto assiste a um filme pornô com alguém enfiando a mão nas suas calças. Acatei! Prometi que até o próximo final de semana estaria com o pau tão liso quando um bebê. Merda!
Passei quase uma tarde inteira pesquisando sobre locais para fazer a depilação. Poucos atendem ao público masculino. Desses, a maioria dos profissionais é mulher. Na minha cabeça isto seria uma péssima ideia. Não tenho controle algum sobre meu pau. É como se fosse um ser independente acoplado no meu corpo. Ele faz o que quer. Não importa se tem uma mulher nua na minha frente, se estou na fila do supermercado ou ouvindo o discurso emocionado de alguém em um velório. Se ele decide se levantar, ele se levanta e ponto final. E nem adianta pensar na minha mãe dançando Conga Conga, porque daí ele se revolta, vai na direção do bolso que tem moedas para ficar tudo mais apertado, aumentar a pressão e não descer nunca mais. Na mão de uma depiladora seria certo que ele se levantaria clamando por atenção como uma criança mimada. Eu acabaria ficando sem graça, sairia correndo de calça arriada, pau em pé e meia depilação feita, quase como o penteado de pagodeiro.
Optei então por um profissional masculino. Não correria o risco de uma ereção constrangedora e, de quebra, teria a certeza que ele sabe de quão frágil é a área que estava tratando. Liguei, marquei o horário e esperei o dia chegar.
- Fudeu!
Falei em voz alta assim que ele abriu a porta do “consultório”. O profissional era a cara do José Mayer. Além de comer todo mundo em todas as novelas, iria comer minha bunda ali também. E ela nem estava depilada. Triste ironia.
Depois que entrei, ele me conduziu até uma sala menor. Disse para que tirasse as calças e cueca e me deitasse na maca. Nesse meio tempo, ele foi retirando os produtos que supostamente usaria de um armário. Enquanto fazia isto, ele aproveitou para confirmar qual seria o serviço:
- Então, qual área iremos depilar?
- Basicamente o pau e o saco – falei em um tom bem rústico e másculo para que ele soubesse que era muito macho.
- Depilaremos então a região da pélvis, virilha e escroto.
Escroto? Que merda mais escrota! O cara que iria me depilar, que iria me provocar dor, era polido no vocabulário técnico. Era como apanhar com alguém usando luva de pelica. Ora, se for para apanhar, que seja com uma garrafada na cabeça, chute na barriga enquanto estou caído no chão e outras porradas bem dadas. Nada de tabefes e petelecos. Para mim o ideal seria ele perguntar:
- Vamos tirar essa pentelhada toda da piroca para a alegria da mulherada?
Finalmente estava nu e deitado na maca. Ele, com o detalhismo de um vistoriador do DETRAN mal intencionado e com a habilidade de um vendedor de cosmético, iniciou uma longa apresentação a todos os produtos: Papel de seda descartável, cera com ingredientes que devem ser compostos de sangue de duendes de tão especiais que eram, pinça esterilizada, maca higienizada e outros frufrus. Falou sobre dermatite, pelos encravados e outras coisas. Não me abalei, macho que é macho quando faz essas merdas pega hepatite, infecção generalizada e peste bubônica.
Enfim, iniciou-se o trabalho. Pegou uma tira de papel com bastante cera, aplicou na virilha, deu dois tapinhas e perguntou se estava preparado. FILHO DA PUTA! Antes que dissesse que não, ele puxou a tira de papel com cera. Arrancou pentelhos, pele, carne e até os ovários que eu achava que não tinha. Antes que pudesse me recompor, ele aplicou uma nova tira no mesmo local “para tirar os que não saíram”. Sem sequer perguntar desta vez se estava pronto, puxou. CARALHO! Aplicou uma terceira tira ainda no mesmo local, “alguns são teimosos e não saíram”.
- MALDITOS – gritei para a minha virilha. – SAIAM AGORA! RENDAM-SE! FUJAM! CORRAM PELAS SUAS VIDAS, DESGRAÇADOS!
Ele deve ter me achado maluco. Riu um pouco e continuou. A dor era insuportável, não importava onde. Virilha direita, virilha esquerda, pélvis, pau (nessas horas fiquei feliz por ter um pau de ator pornô, pois assim demora menos e essa parte será rápida), escroto. Provocou dor em todas as partes nas quais gosto de sentir prazer. Dizem que ao término a sensação é de dormência. Não, não é! A sensação é de estar com energia estática naquela região. Fiquei com medo de atrair pregos, porcas, arruelas e clips caídos no chão enquanto voltava para casa.
Encerrado, tudo que eu queria era sair dali e poder voltar para casa com as pernas afastadas como quem andou de cavalo por uma semana ininterrupta. Daí o cidadão me vem com a pergunta:
- Vai depilar o ânus?
- Por que depilaria o ânus?
- Porque ninguém gosta de sexo oral com ânus peludo.
- Por que alguém chegaria perto da minha bunda com a boca?
- Ah você – disse ele enquanto cobria o rosto com as mãos. – Você não?
- Não – respondi sem ser grosseiro. – Mas obrigado por achar que tenho uma bunda lambível.
Ele, visivelmente constrangido, se desculpou. Disse que iria apenas passar a máquina na parte superior da coxa para aparar uns pelos maiores. Consenti sem a menor preocupação e deixei que terminasse o trabalho. Sabia que seria só aquilo, então relaxei. Já notaram que é sempre no último minuto que tudo vai por água abaixo? Normalmente, no último minuto, você está lá em posição de fechar a boca, daí o dentista fala que só vai ver uma coisinha. Logo depois vem broca, serra, aspirador, Grill Foreman e o escambau. Sempre no último minuto dá merda. Então, nesse último minuto, ele iria apenas passar a máquina nos pelos da coxa perto da virilha. Relaxei. Pois bem, aquele treme-treme sinuoso da máquina ali embaixo acabou surtindo mais efeito do que devia. O pau subiu. Mas não apenas se levantou. Ele subiu e subiu com vontade. Nervoso! Achei que seria ejetado dali de tão rápido que foi. O sósia do Zé Mayer fingia que não estava percebendo. Virou até o rosto.
- Não vira o rosto, não – disse para ele. – Você está com uma máquina perto do meu pau e vai virar o rosto para o lado? Pode olhar. Olha com atenção apenas, mas olha!
Ele riu mais uma vez. Em seguida, pedi desculpas e ele disse para não se preocupar, pois aquilo era mais comum do que eu poderia imaginar. Finalmente encerrado, jogou talco à distância, pois o pau ainda estava de pé. Ficou parecendo uma versão tímida do Farol de Salvador.
Agora vejam. Troquei uma profissional possivelmente achando que estava tentando seduzi-la com um pau de pé, por um profissional que não somente deve ter achado que tentei seduzi-lo com um pau de pé, como também fiz cu doce cabeludo para ele no início.
Vesti as calças. Tudo incomodava. Parecia que tinha levado uma saraivada de tapas por toda aquela região. Andando engraçado, saí do “consultório”, agradeci e falei para o próximo cliente que o aguardava:
- Peça a depilação anal!
Em casa, resolvi me olhar no espelho. A cena era ridícula. Uma pélvis exageradamente vermelha, careca e, ao final dela, duas pernas cabeludas. Parecia que estava vestindo uma meia-calça felpuda. Só faltava a dona da ideia não curtir o resultado. Mas isso fica para outro dia.

Diário de Viagem - Uruguai 2013



Resumo Dia 1 (01/10) - Punta Del Este
Pontos positivos:

- À distância, lembra Balneário Camboriu. De perto, Miami;
- Tranquilidade e sensação verdadeira de segurança;
- Cassinos!!!!!!!!!!
- Loja foda de capacetes estilizados;
- Transformar US$90,00 em mais de US$200,00 em tips de US$10,00;
- Cuba Libre liberada enquanto joga;
- As chicas que atendiam no casino;
- Taxi barato e só Mercedes zero.

Pontos Negativos:
- Em 20 minutos, um céu de brigadeiro ficar cinza como um a virilha de velha;
- Descobrir que a rua do seu Hostel não existe. Isso a pé!!!!!!!
- Achar seu Hostel demolido!!!!!!
- Comer o pior Subway do mundo;
- O bafo de merda do velho bigodudo que não calava a boca ao meu lado na mesa de BlackJack;
- Terminar a noite zerado...
- ...e bêbado...
- ...e com muito frio!!!
- Acordar de calça jeans e tênis, com uma ressaca de MIERDA!!!

Destaque:
- O Hostel que me hospedei. Bom, barato e MUITO mais bem localizado.


Resumo do dia 2 (02/10)
Pontos positivos:

- Dia belíssimo = belas fotos e caminhar agradável;
- Overdose de sucrilhos com leite e chocolate no café-da-manhã;
- Falar qualquer língua nas lojas e deixar os vendedores se viraram para te atender;
- Lobos-Marinhos!!!
- A infinita quantidade de trocadilhos e piadas cretinas que fiz quando chegamos no ponto apresentado como Punta da Punta;
- Sr.Fernando do city tour;
- Brasileiros everywhere;
- Patricia! Patricia! Patricia! Patricia! Patricia!
- Pisco também!
- Casas e prédios fodásticos;
- Mais um porre patrocinado por Casino Conrad;
- Pôr-do-sol na Casa Pueblo.

Pontos negativos:
- Dia belíssimo = mais um bronzeado bizarro;
- Câmera parou de funcionar;
- Loja da Harley fechada (puta de la mierda);
- Perder mais dinheiro no casino;
- A merda do Diners que raramente é aceito por aqui;
- Ser expulso da Casa Pueblo;
- Voltar a pé às 04:00 bêbado, num frio absurdo, e ficar trancado fora do hotel por uns 30 minutos.

Destaque do dia:
As três mocinhas mineiras que, comigo, fizeram um caos por todos o city tour e depois me acompanharam noite a dentro.


Resumo do dia 3 (03/10) - Punta/Montevideo
Pontos positivos:

- Não rolou ressaca (até agora não entendi como, mas fiquemos quietos);
- Deu tempo de um último passeio pela praia;
- Tirar foto profanando a Mão e depois reparar que todos estavam tirando foto sua também;
- A excelente estrada uruguaia;
- A rodoviária que é muito boa, inclusive e principalmente na organização para pegar taxi;
- O estilo do Hostel de Montevideo.

Pontos negativos:
- Não ter conseguido visitar José Ignacio, nem a vinícola de Punta;
- Quase morrer sufocado com a própria língua ao tentar pronunciar corretamente andorinha em espanhol;
- O interior apertado dos taxis imitando o estilo NY. Apenas o Wagner Montes consegue viajar confortavelmente, pois pede para levar as pernas no bagageiro;
- A quase nula sensação de segurança que a cidade passa;
- Hotel de Montevideo não aceitar cartão de crédito(fudeu).

Destaque do dia:
- Meu pai que me perdoe, mas o churrasco daqui é incomparável. Comi ontem uma costela sensacional!!!


Resumo do dia 4 (04/10) - Colônia del Sacramento
Pontos positivos:

- A parte histórica da cidade é belíssima. Foram quase 500 fotos tiradas;
- O tempo que, na maior parte do passeio, colaborou e muito;
- Colocar o sono em dia no trajeto;
- Sorvete artesanal!!!
- Pub El Pony Pisador em Montevideo. Muito bom!
- Música ao vivo tocando "ritmos brasileños";
- Tocaram Fogo e Paixão do Wando!!!
- Conhecer duas brasileiras que trabalham na Smirnoff e ser arrastado para a área VIP de três boates com tudo liberado "di grátis";
- Chopp não é Heinikem;
- Mesmo com o frio, saias e vestidos curtos everywhere.

Pontos Negativos:
- Três horas de ida e três horas de volta. Quase a rotina de aluno do Cefet que mora em São Gonçalo;
- Muita chuva no inicio do passeio;
- Museo dos Náufragos: pior coisa que já vi na minha vida. Claramente, trata-se de um obsessivo compulsivo por itens de naufrágios APENAS DAQUELA região. O cabra literalmente entulhou tudo em um galpão, fez uma decoração cafona e tosca, colocou sons aleatórios ao fundo e, de quebra, fica tocando sem parar Please Don't Let me Be Misunderstood do Santa Esmeralda. Ótima pedida para quem quer ver manequins vestidos de pirata, troncos achados no fundo do mar e bolotinhas de ferro enferrujadas;
- Descobrir que o tão falado Chivito uruguaio é o nosso Bauru. Sendo que nem é melhor do que o do Rico's Lanches;
- Las Lentas Maravilhas estava fechada;
- Cidade Velha de noite parece locação para a gravação de Walking Dead;
- A mulher uruguaia, na sua maioria, não é bonita;

Destaque do dia:
- A honestidade dos taxistas. Tentam ajudar ao máximo e não inventam percursos maiores.


Resumo do dia 5 (05/10)
Pontos positivos:

- Mais um dia com café-da-manhã a base de sucrilhos com Nescau e pão com doce de leite;
- A cidade está cheia, bonita e festiva para o dia do patrimônio;
- Desfile de carros de carros antigos;
- A entusiasmada e incansável torcida do Peñarol;
- Saber que o Brasil não é o único país do mundo infestado de Gremilins... Digo, peruanos;
- Chopp Pilsen;
- Alfajor Havana com sorvete Fredo;
- El Pony Pisador como melhor balada de Montevideo;
- Piriguetes uruguaias.

Pontos Negativos:
- A incontável quantidade de toletes de cachorro pelas ruas;
- Dinheiro acabando;
- O Estádio Centenário pelo estado de abandono. Acredito que não tenha recebido uma reforma desde a Copa do Uruguai. Parece um Serra Dourada ou Brinco de Ouro com história;
- O time do Peñarol que é horroroso. Não conseguem trocar três passes, tem um goleiro muito ruim e o melhor jogador é reserva, só entrando faltando pouco mais de vinte minutos;
- A total falta de segurança ou tentativa de manter a ordem no estádio;
- A língua alternativa dos ambulantes do estádio. Só dá para perceber que estão vendendo churros após olhar para a bandeja, porque o infeliz do velho gritava algo como "rrrrrrrurrrrrrrrrrru";
- No meio da balada tocar Dança da Bundinha, Gera Samba, Katinguele e todos vibrarem!!!

Destaque do dia:
- Senhor sueco, de aproximadamente 65 anos, que desceu sozinho do Canadá até o Uruguai com sua Harley. Conheci no meio dos desfiles dos carros, me mostrou fotos, trajetos, contou histórias. Inveja cor de sangue, quase negra.


Resumo do dia 6 (06/10)
Pontos Positivos:

- Mais uma manhã de pão com manteiga e mel, pão com doce de leite, sucrilhos com Nescau;
- Patricia Litro;
- A interminável Feira de Tristan Navaja, onde vende de tudo, desde frutas e legumes a animais vivos, de roupas a quinquilharias, de comidas pré-prontas a ingressos falsos da Copa de 50;
- Cidade muito movimentada;
- Cecile, a uruguaia mais doida que já conheci;
- Mais um belo final de tarde;
- Mais uma noite no El Pony;
- Chopp Pilsen.

Pontos Negativos:
- Quase perder um evento por não saber do inicio do horário de verão;
- Esquecer o filtro solar no hotel;
- Mais um dia acordando com todos os orifícios do corpo obstruídos por catarro;
- Levar esporro por chegar no final da madrugada fazendo MUITO barulho e criar um caos no banheiro;
- Não ter tido tempo para conhecer Parque Rodó.

Destaque do dia:
- Sobremesa que comi em um restaurante ontem de noite: Muerte por Chocolate. Além de ser obscena de tão gostosa, é quase um projeto arquitetônico de tão bem arrumada.


Resumo do dia 7 (07/10)
Pontos Positivos:

- Mais um dia de café-da-manhã à base de sucrilhos com Nescau, pão com manteiga e mel, pão com doce de leite;
- Zero ressaca;
- Tour pela Vinícola Bouza. Local belíssimo!
- Desgustação na vinícola. Vinhos excelentes acompanhados por pães e queijos fenomenais feitos lá mesmo;
- Algumas garrafas adquiridas;
- Alguns alfajores adquiridos;
- Sorvete Fredo!!!
- Loja da Harley!!! Mais uma camisa para a coleção!!
- Confirmar que provoquei a ira eterna das francesas do quarto ao lado;
- Chegar no restaurante de noite ainda de porre de tanto vinho;
- Muerte por Chocolate!!!
- Chegar torto no El Pony!!!
- Cantar Roupa Nova no El Pony.

Pontos Negativos:
- Mais uma manhã que se inicia com todos os orifícios obstruídos;
- O comportamento dos brasileiros na vinícola. Não calam a boca, não respeitam o que se pede, atrapalham os outros;
- Ter de comprar uma mala bem maior;
- Ainda falta espaço!!!
- Piorar a situação da americana;
- Repetindo Márcio Braga: "Acabou o dinheiro!"

Destaque do dia:
- O motorista francês que ficou a minha disposição para o passeio. Um senhor de 70 anos que já foi capitão de navio cargueiro e viajou por todo o mundo. Contou historias, mostrou fotos e foi atencioso.

 
Resumo do dia 8 (08/10) - Último dia
Pontos Positivos:

- Mais um café-da-manhã mega-calórico;
- Última volta por Montevideo. Desta vez, a orla;
- Almoço em uma cantina típica interiorana. Comida caseira sensacional, quinquilharias espalhadas para todos os lados, dentre elas, a que mais me chamou atenção: Uma foto do dono com Zico, Ronaldo, Platini;
- Mais Fredo!!!
- Vôos da Gol sempre pontuais;
- A alfândega brasileira que é uma mãe. Nada para, nada pergunta, nada vê;
- Ter a certeza que fiz boas amizades: Cecilia, Sebastian (Posada Al Sur), Henrique (El Pony); Sherryl; Gustaf; François e outras pessoas;
- Pouquíssimas coisas ficaram por fazer.

Pontos Negativos:

- Se enrolar (mais uma vez) com o horário de verão uruguaio e chegar com três horas de antecedência ao aeroporto;
- A falta de educação dos brasileiros nos aviões e aeroportos;
- Chegar em casa e descobrir que precisa fazer compras com urgência.

Destaque do dia:
- Todas as pessoas que deram suporte ao Robert e Roger lá em casa permitindo que a viagem fosse feita. Obrigado a todos, inclusive aos analfabetos que quase colocaram fogo no meu apartamento.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Resumão do Rock In Rio 2013



Para quem acompanhou minha nada convencional cobertura do Rock In Rio 2013, eis finalmente o acumulado. Todas as resenhas juntas e eternizadas neste espaço patético.

Resumo do 1º Dia (13/09)
Pontos positivos:

- Living Colour!!! Os caras não envelhecem e só melhoram!!! Épico!!!
- Ney Matogrosso mostrando como ser diva;
- Os peitos da Maria Rita naquele decote;
- Selah Sue!!! Lindinha demais;
- Pernas da Ivete;
- Beyonce de short jeans e camiseta branca como quem vai andar de trem;
- Baterista da Selah Sue... Ai, Selah Sue... ai, ai, ai...
- Saída funcionou muito bem para mim;
- Pontualidade dos shows.
Pontos Negativos:
- Palco Sunset continua tendo os mesmo problemas da versão anterior. Microfone da Maria Rita com microfonia e do Corey Glover estava muito baixo;
- Porre de Heinikein é dose;
- Love of My Life pela Ivete é um despautério!!! E só piora com aquele choro armado;
- Os intermináveis minutos entre as 861 trocas de roupa da Beyonce;
- A minha ignorância em achar que o David Gueta tocou a mesma música do início ao fim do show;
- Apesar da praga rogada pelo Pedro Henrique, nenhuma bicha deu em cima de mim #chatiadu;
- Ter perdido o show do Belo no Citibank Hall.
Destaque da noite:
- Bebel Gilberto LOKA de DRUGS esquecendo que ia cantar outra música, chamando Jota Quest no lugar de Rogério Flausino, falando descontroladamente. Eu quero saber quem é o fornecedor dela??? É o mesmo da Torloni no ano passado.

Resumo do 2º Dia (14/09)
Pontos positivos:

- MARKY RAMONE, BITCHES!!!
- The Offspring sentando a porrada sem mimimi bububu;
- Começar o show do The Offspring em uma rodinha na frente da mesa de som e 15 minutos depois estar em uma mega roda colada na grade;
- Preferências de lado, a disposição e energia da Dona Florinda and The Machine e do Muse em fazer um show épico;
- Melhor Bolo de Chocolate do Mundo pelo mesmo preço do shopping;
- Derrubar três copos cheios de Heinikem no balcão da Casa do Pão de Queijo, fazendo com que os funcionários desliguem todos os caixas para evitar um curto por longos minutos, mas receber outros três copos cheios;
- Saída da Cidade do Rock muito tranquila mais uma vez.
- Não ter visto o show do Capital e, então com certeza, não ter ouvido o Dinho falando mais uma vez: "Caralho, cara, puta energia positiva... Vou tocar uma música da maior banda do Brasil que se chama Aborto Elétrico... 17 anos e fugiu de casa... Agora vou andar de costas e cair de cabeça ali embaixo..."
- Vários conhecidos por lá.
Pontos negativos:
- Atorzinho de Hollywood e suas estripulias com seus trapezistas mirabolantes fazendo show do Orlando Orfeu;
- Não ser evoluído o suficiente para entender (ou gostar) de tanta distorção nas guitarras do Muse;
- Um mamute de 800kg com camisa do Iron cair sobre meu dedão do pé na segunda música do The Offspring e ficar com o pé doendo até agora;
- Oh não! Não mesmo!!!
- Tico Chato Cruz não consegue nem cantar música do Raul sem desafinar;
- A última banda do Sunset;
- Mais um porre de Heinikem;
- Lei Seca everywhere;
- Pessoas maquiadas de David Bowie e Kiss na noite do Muse?!?!?!
Destaque da noite:
- Tio cheio de DORGAS querendo discursar no Sunset.

Resumo do 3º dia (15/09)
Pontos Positivos:

- Nando Reis, Samuel Rosa e J.Quest mostrando que é com sucessos que se anima uma plateia;
- They don't really care about us;
- Primeiro acorde do George Benson e eu já chorando como uma menina;
- Sorriso de SAFADYTA e DANADA da Alicia Keys;
- Aurea... Ahhhhhhuera;
- Maria Gadu pegou a Alicia e esfregou na cara de 100.000 pessoas, fora as que assistiam pela TV;
- Não ter visto o show da Jessie J;
- Homem completamente vestido de Homem-Aranha saindo do banheiro falando que só tem doido lá dentro;
- Shortinhos everywhere;
- Ser apresentado como "o cara que me reprovou em Cálculo";
- Cara do chopp da Casa do Pão de Queijo te reconhecer, entregar antes de pagar e ainda sacanear que estou devendo duas placas que queimei no dia anterior.
Pontos Negativos:
- Vestido feito com papel de maço de cigarro que a Alicia Keys usou para fechar o show #AgulhaDeOuro;
- Nando Reis provando que consegue piorar a afinação com o tempo;
- Justim Timberlake ser branco;
- Alicia Keys "ligando para o namorado" no meio do show quando sabemos que não pega celular perto do palco;
- Outro porre de Heinikem;
- Dores no pé;
- Pessoas que filmam o show pelo telão;
- Pessoas que ficam na porta da Cidade do Rock vendo o show pelo telão atrás da cabine da Globo;
- A impossibilidade do George Benson e Ivan Lins montarem um show maior e deixar rolar para quem não quisesse ver a Jessie J;
- Cabeças e mãos para serem pisados everywhere;
- Descobrir apenas hoje que a música que tanto aguardava para ser cantada pela Alicia é na verdade da Norah Jones.
Destaque do dia:
- Sem comentários: Kimbra!!! Baita surpresa...

Resumo do 4º dia (19/09)
Pontos Positivos:

- Metallica! Metallica! Metallica! Metallica!
- Vontade do Sebastian Bach em agradar e ser simpático;
- Show do Alice in Chains na teoria;
- Ficar no olho do furacão;
- Som do show do Sepultura;
- Saída mais uma vez sem estress.
Pontos Negativos:
- Perder o show do Dr.Sin (mas primeiro do dia não rola);
- Som do show do Sebastian Bach (padrão Sunset)
- Show do Alice in Chains na prática;
- Ghost BC (precisa algo mais?);
- Oh não! Não mesmo!
- Sebastian Bach incorporando o bobo da corte;
- Porre de Heinikem;
- Show inteiro do Metallica segurando xixi;
- Olodum de Paris cantando metal em francês: "ABAJOUR! CROISSANT! LA VIE EM ROSE!"
- Integrantes do Alice in Chains que são tão carismáticos quando o Eduardo Suplicy... em coma... em um quarto escuro... de um prédio distante!
- Aquela sensação que o Sepultura tocou a mesma música o show todo;
- Metallica não tocar Stone Cold Crazy.
Destaque da noite:
- Robie Zombie e seu circo escroto: Palhacinhos presepeiros com maquiagem estilo aborígenes do desenho Madagascar; Imagens loucas no telão; O próprio que, a cada dia que passa, parece mais uma mistura de Gentileza com mestre hindu recém saído do Rio Ganges; "MARS NEED WOMEN! ANGRY RED WOMEN!"

Resumo do 5º dia (20/09)
Pontos Positivos:

- Bon Jovaço o cara mais carismático do mundo desde Silvio Santos;
- Ben Harper e Musselwhite fizeram um show excelente, com direito a Led Zeppelin;
- Promoção: cesta com 12 pães de queijo e uma fatia do Melhor Bolo de Chocolate do Mundo por R$ 15,00;
- Metade da plateia me ouvir gritar no show do Nickelback: "FAZ UM FILHO EM MIM!"
- Terno roxo do Frejat;
- A mesma metade da plateia me ouvir gritar no show do Bon Jovi: "FAZ UMA NINHADA EM MIM!"
- The Rolling Stones 2 vezes!!!
Pontos Negativos:
- Som do Palco Sunset (eu sei repetitivo);
- O processo de clareamento dental do Bom Jovi, bem estilo Ross Geller;
- Frejat que a cada ano disputa ferrenhamente com o Hebert quem é o pior cantor;
- Muita baladinha no Nickelback e poucas porradas;
- Bon Jovi não tocar Born To Be My Baby;
- Porre de Heinikem;
- Bateria do celular acabar rapidamente e ficar incomunicável com outros mortais;
- Nickelback não ter atendido ao meu pedido;
- Tão pouco Bon Jovi;
- Achei ruim o som do show do Bon Jovi;
Destaque da noite:
- Ter encontrado Leonardo, um dos protagonistas da epopeia do RIR 2001. Não sabe do que se trata? Leia o meu último conto aqui.

Resumo do 6º dia (21/09)
Pontos Positivos:

- Bruce Springsteen: O maior espetáculo que o Rio de Janeiro já viu desde Sinatra, McCartney, Stones e Flamengo do Zico;
- John Mayer quando se mostrava um puta músico;
- Moleque Phillip Phillips que foi (para mim) a surpresa mais foda de todo o festival;
- Ruivas legítimas em manadas;
- 2 x a promoção Pão de Queijo + Melhor Bolo;
- Skank que mostrou como uma banda nacional deve montar um show (sucessos + sucessos + sucessos);
- O moleque cantando PARA o Bruce e depois chamando a banda: FODA!
- Não ter visto um show do Sunset;
- "BIBA! BIBA! BIBA A SOCIEDÁ ALTERNATIBA!"
- A saída que funcionou muito bem novamente.
Pontos Negativos:
- Mais da metade da público não conhecia direito o trabalho do Bruce esfriando em vários momentos;
- John quando tinha recaída e fazia números de músico de praça de alimentação;
- Porre de Heinikem;
- A escalação do Palco Sunset que claramente foi feita quando o dinheiro acabou;
- Oh não! Não mesmo!;
- Cabeleireiro do John;
- Não teve Because The Night;
- A sensação de frustração por não ter pedido autógrafo para as pessoas que andam como se fossem importantes só por possuírem uma credencial;
- Cusparada de cerveja na cara!
Destaque da noite:
- Trinca de ases: Phillip, John e Bruce vieram para fazer a melhor combinação da história do RIR. Três shows musicalmente preparados para mostrar a capacidade das bandas e provar que repetir a versão do disco é mole.

Resumo do 7º dia (22/09)
Pontos Positivos:
- Iron, que fazendo o básico de sempre, é foda!
- Todas as músicas que o Avenged Sevenfold tocou/cantou;
- Zépultura!!!
- Promoção Pão de Queijo + Torta;
- Obina!
- show do Slayer band, mesmo desfalcados de um guitarrista recém morto, um baterista preso, um baixista abduzido e um saxofonista que nunca existiu;
- Kiara Rocks com convidados e tocando cover do AC/DC, Ramones e Iron Maiden;
- Alguns chopes de graça.
Pontos Negativos:
- Foi uma merda para entrar. Fecharam a primeira revista por uns 20 minutos para varrer o chão!!! WTF!!!
- Perder o show do Helloween;
- Todo barulho produzido/gritado pelo Avenged Sevenfold;
- A cafonice de sempre do Iron;
- Porre de Heinikem;
- Muita menina estranha... Aliás, eram meninas mesmo?
Destaque da noite:
- O público que é tachado de assustador é ao mesmo tempo o mais apaixonado e o que raramente provoca brigas.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Um bloco uma caneta e o divã


Do êxtase à merda e vice-versa
 Tinha me fodido no primeiro final de semana do Rock in Rio 3. Achava que dava para ir para casa e voltar no dia seguinte, mas tudo que consegui foi me cansar mais ainda. A estrutura não era compatível com a grandiosidade do evento. Sair de lá era um martírio, chegar era uma batalha, tudo demorado e sofrido, muito engarrafamento, poucos ônibus e todos lotados. Ao final do show do Sting, no primeiro dia, não tinha ideia de como seria, então resolvemos ficar um pouco por lá bebendo para fazer hora e deixar o público dispersar. Não poderia ter sido pior. Tivemos de andar da Cidade do Rock até o Via Parque para conseguir um ônibus. Isso já era por volta de quase cinco da manhã. Estávamos bêbados e exaustos. Os passos eram lentos e penosos. Chegamos depois das seis, esperamos para pegar outro ônibus, fomos até o Terminal Alvorada, esperamos mais uma vez, pegamos um segundo ônibus, daí, depois da longa e vagarosa Estrada do Alto da Boa Vista, finalmente chegamos à Tijuca com o relógio quase batendo meio-dia.
Tivemos tempo apenas de tomar banho, mudar de roupa, comer algo e já voltar para a Cidade do Rock, pois REM e Foo Fighetrs nos aguardavam. Ou ao contrário. Ainda assim, só chegamos de noite. Não vimos os peitos murchos da Cassia Eller, nem a mala da Fernanda Abreu. Ignoramos o Barão para beber (eu sei, heresia minha), do almofadinha do Beck em diante vimos tudo. Alteramos, ao final do dia, a estratégia. Terminado o show, iríamos direto para casa. Não mudou muita coisa. Chegamos tão tarde quanto o dia anterior em casa, fizemos tudo correndo e, de qualquer forma, mais uma vez, não deu tempo. No domingo não chegamos a tempo de ver Pato Fu (que triste, não?), mas consegui jogar duas garrafas no Carlinhos Brown e, colado na grade, gritei algo quase ao seu pé do ouvido que ele, com certeza, escutou e nunca mais se esquecerá. Fora isso, vimos os demais shows. Ao final do dia, o consenso era único: foi uma maratona muito cansativa. Tomei a iniciativa e sacramentei que nos próximos dias não voltaria para casa. Daríamos um jeito, mas ficaríamos por lá. Levaríamos na mochila várias camisas para trocar e seria o suficiente. Os imbecis que me acompanhavam aprovaram a ideia de merda e assim seria no final de semana seguinte.
Era fato que isso daria errado, principalmente quando optamos em, além de usar essa estratégia, ir também na quinta-feira das boybands. A motivação era simples, estaria cheio de menininhas, faríamos a festa. Ledo engano. Não quando falo da quantidade de menininhas, isso foi um acerto. Parecia o encontro mundial de colegiais. O erro estava em achar que iríamos nos dar bem. Todas só davam atenção para o palco. Nenhuma estava no clima de pegação. Isso sem contar as que estavam acompanhadas da mamãe, madrinha, titia etc. A opção, como sempre, foi beber. Primeira noite de quatro seguidas e estávamos bêbados antes das 22 horas. Terminada a tortura de gritos, playbacks, infinitas trocas de roupas e coreografias, finalmente a Cidade do Rock estava vazia. E agora? Resolvemos nos juntar a alguns grupos que já faziam fila para o dia seguinte. Aparentemente se manter acordado bebendo com fãs de Iron, Sepultura e QOTSA não era uma boa ideia. Especialmente quando você já começa com várias doses de vantagem na largada. Obviamente antes do meio-dia estávamos desmaiados na calçada de cimento quente com sol sobre nossas cabeças. Acordamos com o tumulto da abertura dos portões. Nós deitados e vários trogloditas correndo ao nosso redor. Parecia que estávamos no meio do estouro de uma boiada. Não sabia se me encolhia, tentava desviar, me levantava, fingia de morto. Por fim, sobrevivemos, nos levantamos e entramos destruídos e ainda bêbados. Não estávamos prontos, mas era o que tinha de ser feito.
Com os shows da sexta foi mais fácil ver o dia passar. Muitas rodinhas, pula-pula, cantoria e bagunça. Em contrapartida, foi mais fácil ficar cansado, desidratado e com fome. Paramos na cerveja e resolvemos torrar uma grana em refrigerante e sanduíches. Isso por volta do final do show do Rob. Comemos como ogros, ficamos pesados e nos arrastávamos pela Cidade do Rock para o início do show do Iron. Ao término, o que mais temia aconteceu, precisava desesperadamente ir ao banheiro.
- Porra – disse o Leo. – Vai então, viado!
- Não tem como – respondi. – Não dá!
- Ah que fresco! Está com nojinho? Caga de pé sem encostar na privada.
- Não é esse o problema – expliquei. – Não tem condições para fazer.
- Relaxa – disse David. – Vou lá no Bob’s, pego uma porrada de guardanapo e você usa como papel higiênico.
- Caralho, seus merda – estava ficando enfezado literalmente. – Isso não resolve! Só sei cagar se tiver bidê, chuveirinho ou como tomar banho depois.
Se me recordo bem, eles ficaram rindo pelo chão por uns quinze minutos. Foi tempo de muitas pessoas terem ido embora e a Cidade do Rock ficar consideravelmente vazia. Nesse tempo a pressão estava maior e não teria como aguentar até chegar em casa, tão pouco ficar mais dois dias naquele estado. Resolvi bolar uma solução.
- Fiquem aí então – falei. – Vou ali comprar umas garrafas de água e dou meu jeito.
Eles riram mais ainda. Fui até o quiosque mais próximo e vi que estavam com uma queima de cervejas para fazer a troca do dia seguinte. O preço estava muito mais barato que a água. Não pensei muito e comprei cinco copos de cerveja. Passei por eles e, assim como vocês que não estão acreditando no que leem, eles não acreditavam no que viam. Mas o fato é que caguei e limpei a bunda com cerveja. Por conta disto, acredito que seja uma das poucas pessoas no mundo que bebeu Schincariol como deveria ser feito. Aquela merda tem de ser consumida pelo rabo. Sendo hoje, adoraria passar em uma blitz da Lei Seca só para testar o que aconteceria se peidasse no bafômetro. Acredito que os fiscais ficariam surpresos. Terminada a tarefa, notei que fiquei muito mais bêbado do que antes. Não sei se tinha alguma relação com a mucosa do reto absorvendo bebida alcoólica ou com a grande carga calórica que desperdicei, mas a realidade era que tinha ficado bêbado pelo cu. Saí do banheiro cambaleando e, com a ajuda deles, conseguimos sair da Cidade do Rock. Foi o tempo certo para deitar novamente naquela calçada dura e apagar. Lembro de alguns risos finais deles, ainda assim dormi como um bebê recém trocado pela mãe que passou lenço umedecido de cevada.
Acordei depois das dez da manhã. Falaram que me cocei a noite toda. Imagino que seja verdade, pois a combinação cerveja com bunda, calor e calça jeans não é muito convencional. Eles já estavam despertos e comendo uns biscoitos que, segundo me contaram, compraram de umas meninas que estavam na fila para o show de sábado. Peguei alguns, mal comi todos, já estava me coçando. Era desesperadora a coceira. Dava vontade de arrancar o cu fora. Levantei-me e saí do meio do grupo:
- Vai cagar novamente?
- Não – respondi. – Vou comer sua mãe.
- Não se esqueça de depois limpar o pau com guaraná.
Mandei se foder e fui atrás de um vendedor para comprar água. A ressaca era grande e ainda tinha a urgência de lavar uma bunda que foi lavada com cerveja. Acho que deu para entender. Depois de vinte minutos atrás de uma van de transmissão e três garrafas d’água, lá estava eu, novo e com a bundinha mais limpinha da Cidade do Rock. Reuni-me com eles e esperamos o abrir dos portões.
Não vou mentir ou querer bancar o durão. Por diversas vezes cogitamos ir embora e desistir do show daquele dia para descansar. Por sorte, ou infeliz coincidência, raramente cogitávamos isto ao mesmo tempo, então, quando um queria desistir, os demais convencia do contrário. Foi duro, mas entramos para o terceiro dia seguido e sexto de evento.
A programação do sábado era boa, mas ao mesmo tempo chata para quem estava no limite. David Matthews e Sherryl Crow criaram vários momentos soninho, Kid Abelha e Engenheiros do Hawaii criaram vários momentos para o suicídio. A solução era dar uma volta e tentar conhecer alguma gata.
Bruninha devia ser dois ou três anos mais velha do que eu na época. Provavelmente beirava os 25 anos. Tinha uma altura mediana, cabelos escuros lisos, pele bronzeada, olhos enormes de brilhantes e um sorriso que se assemelhava ao do gato do conto da Alice no País das Maravilhas. Dificilmente conseguiria se passar por normal, inclusive se esforçasse. Ela que puxou assunto comigo. Algo relacionado a estar dormindo de pé. De fato estava complicado permanecer acordado. Saímos da multidão e nos sentamos no chão, um com as costas apoiada na do outro. Parecia estranho conversar com alguém de costas para você, mas era confortável e, o fato de não olhar diretamente para ela, me dava mais coragem para falar besteira. Bruninha era muito interessante, tinha características que me fascinavam na época, dentre elas, ser mulher (obviamente), mais velha e falante (perdoem o pleonasmo), mas me dar atenção era a mais predominante da lista. Por mim, ignoraria totalmente os shows seguintes e ficaria de conversa com ela. Não queria mais sair de lá. A conversa fluía, ela entendia meu sarcasmo e eu acompanhava os deboches dela. Parecia que nos conhecíamos há anos. Queria muito beijá-la, mas por estar de costas não era possível e, além disto, estava suado e sem tomar um banho decente fazia dois dias. Continuamos conversando então.
- Acorda aí – disse Sergio me cutucando com os pés. – Acorda, cara!
- O que foi – perguntei, ainda sonado e deitado no chão. – Que foi?
- Está dormindo no chão! Cadê a moreninha?
Ela tinha ido embora. Peguei no sono no meio da conversa e ela foi embora. Fiquei ali na grama dormindo sonhando com o resto da nossa conversa.
- Peguei no sono.
- Estou vendo. Pegou ela pelo menos?
- Não. Peguei no sono.
- Você dormiu enquanto dava ideia na garota, seu merda?
- Estou cansado, porra!
- Ei, Leo – gritou o Sergio para o Leonardo que se aproximava. – Não é ele que tem aquela história de ter dormido no meio das preliminares com a namorada?
- Ele mesmo – concordou o Leonardo. – Por quê? Dormiu enquanto pegava a morena?
- Pior – respondeu o Sergio já rindo. – Dormiu antes de pegar. Enquanto dava ideia nela.
Eu sei, tinha me superado dessa vez. A história da namorada era verdadeira e agora essa. Para minha defesa, em ambos os casos estava bêbado e vindo de uma rotina cansativa. Ainda assim, dormi no meio da ação uma vez e, noutra, dormi enquanto batia o papo mais animado e entrosado da minha vida. Um merda sempre faz merda. Levantei-me e os acompanhei para o resto do dia.
Terminado o show do Neil Young, lá fomos para a calçada nos acomodar com outros dementes como nós. Eu sabia que dava para dormir mais uma noite na calçada, mas não suportaria mais uma manhã dormindo com sol forte e calçada quente. Foi quando avistei uma Blazer.
- Ei cara – falei com um homem encostado no carro. – É sua?
- Sim.
- Vai sair agora?
- Não, vou ficar para os shows de domingo.
- Cara, que ótimo. Preciso muito dormir.
- Ah, mas nem a porrada que vai dormir dentro do meu carro.
- Não. Não me entenda mal. Vou dormir debaixo do seu carro. Só preciso de sombra e a certeza de que não vai sair me arrastando por aí.
- Relaxa. Deita lá.
Comecei a me ajeitar para me enfiar sob o carro quando os meninos apareceram me chamando de doido por fazer aquilo. Expliquei meus motivos e eles argumentaram que debaixo do carro era praticamente terra, sequer tinha grama.
- Porra, pouco me importa. Estou com essa merda de calça há três dias. Trocamos de blusa após tomar um banho de gato com garrafa de água mineral. Acham mesmo que no último dia vou me importar em dormir na terra?
Deitei-me e dormi como um bebê guaxinim. As formigas que fizeram do meu corpo, principalmente o rosto, a sua Cidade do Rock não me deixaram desconfortável. O suor do calor que transformava a terra em um barro levemente fresco nem me abalou. Nada me incomodava. Era como dormir em casa. Fui de quase seis da manhã até duas da tarde. Acordei novo. Costas e pernas não doíam mais. Era possível finalmente, depois de tantos dias, suportar uma noite inteira de shows. Levantei-me tão empolgado que dei uma porrada com a cabeça no chassi do carro. Fez um galo que iria me incomodar o resto do domingo. Saí de debaixo do carro, vi os meninos suados, sofrendo no sol e eu com a pele praticamente imaculada de longas horas em uma sombra própria. Agradeci ao dono do carro que já estava acordado conversando com os amigos. Sacaneei os imbecis que ficaram no sol mais uma manhã, fui comprar algumas garrafas de água e repeti o ritual dos outros dias. Tirei a camisa, joguei água no peito, braços e axilas, sequei-me e troquei de camisa. Depois forcei o vômito até expulsar a última gota remanescente dentro de mim, fiz gargarejo com a água que restava para tirar o gosto ruim da boca e voltei. Comprei duas Cocas, um pacote de biscoito e lá estava preparado para o sétimo dia.
A última noite foi finalmente de diversão. Curti todos os shows do início ao fim, diferentemente dos que me acompanhavam que estavam mais mortos do que nunca. Não sei de onde tirei que seria uma boa ideia a maratona no formato que insistimos em manter, tampouco sei dizer por qual motivo não abortamos na primeira noite para refazer os planos. Talvez seja porque éramos muito novos e tudo era festa, ou apenas éramos imbecis mesmo, ou, a melhor das hipóteses, éramos jovens imbecis bêbados. De qualquer forma, minha relação de gratidão e amor ao Rock in Rio permaneceu inalterada. Continuo o mesmo menino que foi deixado na casa dos avós para que os pais pudessem ir à primeira edição e assistiu a tudo pela televisão boquiaberto. Permanece a magia do festival em que, ainda juvenil, tomei meu primeiro porre e perdi minha virgindade. Agora criara a marca de ser o festival no qual fiz a minha primeira maratona de shows, quatro dias diretos, “sem tirar”. Seria melhor se tivesse algum rastro da Bruninha, nenhum galo na cabeça ou mais shows aproveitados. No entanto, a experiência foi válida, pelo menos até a próxima versão.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Um bloco uma caneta e o divã


Ai que delícia! Ai que brinde! Ai que decepção!
Uma das polêmicas mais banais que já vi sobre comida, e nesse ponto leia-se gordices, é sobre o artifício de conquistar o consumidor infantil com brindes na compra de algo. Mc Donald’s usa frequentemente esse recurso e não é ali que está o problema, até mesmo porque, olhando para a minha timeline, só vejo galalau desesperado atrás de brindes do Mc Lanche Feliz supostamente esgotados para completar a coleção.
Engana-se quem pensa que com brindes você cria uma criança dependente de comidas ruins e açúcar. Uma família com má alimentação e dieta nada regrada de açúcar que cria uma criança assim. Eu sou um caso de que uma coisa nada tem a ver com a outra. Sempre tive uma relação ruim com brindes e ainda assim sou viciado em açúcar (chocolate principalmente), além de priorizar sempre a pior alimentação possível.
Na minha infância, a relação gordice e brinde não era tão sofisticada como é hoje em dia. A lembrança mais antiga que tenho remete ao biscoito de chocolate que hoje leva o nome de Bono. Naquela época, ele nem tinha nome, era apenas biscoito de chocolate da São Luiz. Já o brinde era um adesivo daqueles fofos (no sentido de apertar e afundar mesmo) da Turma do Snoopy. Confesso que comi muitos pacotes, mas nunca completei a coleção. Eram sempre os mesmo que apareciam: Lucy, Marcie e Paty Pimentinha. Como não ligava muito para brindes, só queria mesmo comer o biscoito, aquilo não me incomodava tanto.
Passado um tempo, veio o chocolate Surpresa. O nome é obviamente explicado por trazer uma surpresa, cuja, diga-se de passagem, era de uma pobreza sem tamanho: um cartão com a foto de um animal e informações sobre ele na parte de trás. Se fosse hoje em dia, isso seria motivo para um filho dessa geração bunda-mole justificar um trauma e sair matando todos os coleguinhas na escola, somente porque ganhou um brinde ridículo dos pais. Mais uma vez, minha relação com os brindes não era a melhor de todas. O brinde do chocolate Surpresa era voltado para algum assunto em específico em cada época do ano. Tivemos Feras da África, Animais do Cerrado, Mundo Marinho e por aí vai. Na época de Animais do Cerrado, sempre tirava o veado campeiro. Quando foi Feras da África, revezava entre gazela e antílope, mas esporadicamente aparecia um gnu, que nada mais do que uma gazela metrossexual bombada com chifres estilo Lady Gaga. Na época do Mundo Marinho era a minha chance de tirar algo um pouco diferente, mas, aparentemente, a diversidade dos setes mares também é grande o suficiente para me pregar peças. Quando achava se tratar da oportunidade de tirar um temido tubarão branco ou o cobiçado marlin azul, me apareciam a estrela-do-mar, a moréia e o peixe-espada (que nem é tão másculo quanto o nome sugere).
Na época em que o Kinder Ovo chegou ao mercado, eu já era suficientemente viciado em chocolate para me abalar com brindes ruins e, convenhamos, esses eram o piores. Não que sejam de baixa qualidade ou não existia interesse nos temas que eles escolhiam. Não! Muito pelo contrário! Vi diversos conhecidos colecionando miniaturas da Hanna-Barbera, veículos bem transados de todos os tipos, peças que quando reunidas formavam robôs irados e até personagens de mundos fantasiosos de elfos e ogros. Mas comigo, bem, comigo nada disto aparecia. Comigo era sempre peça para montar uma réplica da Barbie. Eu podia comprar uma caixa fechada com 50 Kinder Ovo (seria o plural Kinderes Ovos?) que não sairia, sequer, um brinde diferente de uma peça para montar a cópia fajuta da Barbie. Se comprasse por teimosia a caixa com 50 unidades, ao final teria uma Barbie feia de três metros de altura.
Era claro que alguma entidade relacionada a chocolate e brindes estava tentando me mandar alguma mensagem subliminar. Até mesmo para alguém da minha idade na época isso estava bem óbvio, tanto que passei a observar melhor a rotina das outras pessoas para tentar identificar em qual gordice teria mais sorte com os brindes. Foi então que notei os picolés de fruta da Kibon. Existiam quatro sabores: coco, limão, tangerina e uva. Ao final sempre era possível encontrar uma frase no palito, ou dizendo para ter mais sorte na próxima vez, ou anunciando que acabara de ganhar outro picolé grátis. A premissa ali envolvida era a ideal, não tinha surpresa desagradável. Existiam apenas duas opções e ambas, mesmo sendo uma delas nula, me agradavam. Passei então a notar o padrão da Kibon de influenciar a demanda dos picolés. Os sabores que tinham mais saída raramente eram premiados, já o de limão, o qual poucas pessoas compravam, sempre era premiado. Estratégia estabelecida, lá fui eu na padaria comprar o picolé de limão, somente pelo prazer de ganhar algo. Optei por comprar quatro de uma só vez, assim teria quatro palitos premiados, três deles trocaria pelos de outros sabores e o quarto trocaria por outro de limão para dar continuidade ao suposto fluxo infinito de sorvete de limão grátis. Chegando então em casa, terminado o primeiro veio a mensagem: “Não foi dessa vez. Kibon agradece!”. Fiquei um pouco frustrado, confesso, mas as chances permitiam essa possibilidade. Segui para o segundo com a certeza de ter mais chances: “Não foi dessa vez. Kibon agradece!”. Parecia que tinha conseguido comprar do único lote não premiado de picolés de limão, mas não desisti e segui para o terceiro certo da vitória: “Não foi dessa vez. Kibon agradece!”. Sobrou apenas um e nem pensei duas vezes, mesmo com a cabeça doendo de tanto gelo, fui voraz para chegar logo ao final e terminado me deparei com a mensagem: “Mas vai gostar de chupar assim lá em casa, hein?”.
Pois é, e aí, vai insistir em falar que brindes e má alimentação andam juntos? Só não entreguem este texto ao Feliciano, ou ele vai ligar os pontos e criar a relação entre brindes e homossexualidade.