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quarta-feira, 3 de maio de 2017

Que sacanagem!



O lamentável episódio envolvendo o violador (interprete tanto no bom, quanto no mau sentido) de Helenas das novelas globais voltou às pautas nesta semana. Surgiu um novo fato. Aparentemente, ele e a figurinista eram amantes já havia algum tempo. Como disse, surgiu um novo fato e nada mais. Tal informação é apenas nova, mas nem por isso é um fato atenuante ou incriminador. Até porque, ser amante de alguém não lhe dá o direito de meter a mão na faixa nobre de outra pessoa sem consentimento.
De toda essa história, o que mais me deixou perplexo foi a tentativa do Zé Mayer se passar por machão. Isto é, segundo ele, sua origem é de uma época em que homens de verdade tomavam essas iniciativas, tinham a certeza que era a ação a ser feita e, assim, se destacavam dos outros sem atitudes que justificavam suas frouxidões em regras de etiquetas, algumas classificadas como coisa de bichinha. Não, não tinha como Zé Mayer se sair por cima nessa história. Poderia até sair como machão ao assumir de fato a merda que fez, de qualquer forma seria tachado de escroto.
Seu argumento desviando sua culpa para época em foi criado foi motivo para textões enaltecendo pais e avôs da mesma época que se comportavam de maneira exatamente oposta. Como se eles merecessem uma placa por isso, não é? De qualquer maneira, entendi a ideia dos textos de confrontar a época do Zé com a época dos parentes. É uma ideia que até me agrada, mas a proximidade familiar me deixa desconfortável. Era possível fazer algo melhor. Existia a possibilidade de mostrar que o argumento dele foi muito mais lamentável que todo o episódio.
Zé Mayer tem a idade de papai (não, não farei a comparação), ele nasceu em 1949. Descontando os primeiros anos da vida como criança, temos um Zé Mayer adolescente no surgimento da pornochanchada. Não existe algo mais apropriado, que seja da mesma época, para ser utilizado como balizador no episódio em questão do que os filmes de pornochanchadas nacionais. Sexismo explícito na grande tela. Os protagonistas não pensavam em outra coisa a não ser sexo. Quando homens pensavam em como foder o máximo de bocetas possíveis, quando mulheres pensavam em como não cair em tentação. As cantadas e abordagens eram assumidamente calhordas. Isto é, a imagem que passavam era de escrotidão. Ninguém era idolatrado por aquelas atitudes. Tanto que na maior parte das vezes os personagens eram pessoas de pouca instrução, cargos baixos e nenhuma educação. Exemplo do Seu Noronha interpretado por Lima Duarte em Os Sete Gatinhos. Ele, inclusive, tinha vergonha de assumir que era contínuo (“Eu sou contínuo e você é um filho da puta”).
Na época das pornochanchadas, ninguém chegava já sentando a mão na Dona Flor (referência a um dos mais famosos filmes da época). Quando faziam, era uma pessoa detestável. No mesmo Os Sete Gatinhos tem a cena do deputado (interpretado pelo Mauricio Valle que comumente faz vilões e personagens odiáveis) correndo atrás de uma Regina Casé nua em pelos (literalmente) para tentar agarrá-la à força que reforça essa imagem. Por sorte, Regina Casé conseguiu escapar na piscina e saiu ilesa, inclusive de pegar um resfriado. Todavia, nem sempre a mocinha conseguia escapar de investidas inapropriadas. É o caso da Sonia Braga em A Dama da Lotação. Após negar sexo ao seu marido na noite de núpcias, ele a estupra. Traumatizada com aquilo, ela desenvolve um bloqueio ao próprio marido ficando incapaz de conseguir transar com ele. Para saciar seus desejos, ela começa a ter relações com homens aleatórios que encontra pelos ônibus da cidade. Não sei para vocês, mas, para mim, esse enredo tem um enorme poder didático.
A linha de pensamento de Zé Mayer é falha, além de desnecessária. Contemporâneos dele que foram repetidamente estrelas desses filmes como Nuno Leal Maia e Carlo Mossy (praticamente o rei das pornochanchadas) nunca se envolveram em escândalos dessa magnitude. Outros, mais velhos e, pela teoria, mais antiquados e então propensos a pensar igual, como Lima Duarte e Ary Fontoura também possuem uma ficha impecável no que se refere ao comportamento esperado em sociedade. Em suma, ele fechou com chave de merda o episódio ao tentar justificar sua atitude.
O que não pode deixar de ser observado é que a combinação mulheres com atores chamados José que trabalham na Globo costuma ser traumática. Um mete a mão, o outro cospe. Ao menos um já está sendo execrado publicamente. Quem sabe o outro receba um tratamento menos benevolente em uma próxima recaída, né não?

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quarta-feira, 5 de abril de 2017

Que sacanagem!



Umberto Eco já disse algo como que a internet deu voz aos idiotas. Eu, sem querer me fazer superior ao mestre, iria além. A internet deu voz e poder aos idiotas. Sim, porque não somente deu a oportunidade aos idiotas de publicarem seus pensamentos (sic filosofal), mas como também deu poder a outros idiotas de propagarem a voz uns dos outros. Isto é, ampliam as próprias vozes. Não bastante, ainda debatem entre si, tiram conclusões, formam opiniões e cada vez mais atraem integrantes para essa interminável rede de débeis conectados. Os assuntos são os mais variados possíveis. Se antes o brasileiro era conhecido por ser profundo debatedor de política, futebol e religião, hoje a lista possui mais de cinquenta temas, incluindo direto penal, economia, pedagogia, previdência e, claro, culinária, o tema do momento que até eu me dou ao direito de meter a colher (trocadilho que não podia deixar passar) mesmo sem ter sequer gás em casa.
Certo dia, presenciei uma acalorada discussão sobre um cidadão que postou sua ojeriza às mulheres com estrias. Juro que tentei entender como um indivíduo pode ter tempo para se dedicar a uma discussão desse tipo. Eu sequer tenho tempo para ler nota de obituário. Tanto que tenho colocado o sono em dia enquanto tomo banho e talvez isso explique a minha insônia. Voltando ao assunto, algumas pessoas mais acaloradas chegavam a afirmar que o “criminoso” sequer gostava de mulher por conta da sua confissão. Admito que eu achei um pouco exagerado. Afirmar que um homem que tem predileção por mulheres sem estrias não gosta da coisa é tão radical quanto dizer que uma pessoa que bebe, mas não gosta de cerveja, não é um bêbado de verdade. Concordo que, com esse pré-requisito, talvez ele tenha dificuldades de encontrar uma parceira. Até porque, convenhamos, é algo quase inerente a uma mulher na sua maioria e, não somente por isso, ela não deveria ter vergonha. Eu, com minha ótica sempre vesga, enxerguei estria como uma marca de uma transformação que a mulher passou em determinada época da vida. Todavia, não se prendam à opinião deste homem que acha sexy uma ou outra cicatriz. Existe uma pessoa com uma pequena cicatriz no rosto, inclusive, que é um desespero quando a vejo.
Ainda acho que é um direito do rapaz de ter seus gostos, por mais peculiares que sejam. Ele tanto tem esse direito, como nós temos o dever de fazer dele uma chacota por conta disso, assim como também temos a obrigação de dar uma voadora na orelha dele por colocar em rede mundial esse nojinho de fresco. Porque, convenhamos, frescura do cacete, né? Que fique registrado, fazer chacota, e não debater exaustivamente como se o tema fosse eutanásia, por exemplo. Imagino alguém neste momento dizendo que sou contraditório porque não deixo de estar debatendo sobre o tema. Não estou! Talvez esteja um pouco, mas é porque quero apenas a deixa para falar de algo que tangencia o assunto. Predileções.
Magricelo, gordo, louro, morena, peito caído, pau pequeno, careca, estria, narigudo, orelha de abano, signo de câncer, negro, maconheira, fanha, alto demais, pobre. Vai montando a lista aí! Para mim, todos estão num mesmo balaio quando o assunto é unicamente predileção. Características de pessoas que não atraem outra pessoa. A pergunta é: Por que algumas dessas predileções são expostas sem a menor cerimônia, enquanto outras nos fazem ficar ruborizados, inclusive quando apenas lembradas na nossa intimidade? Será que estamos ficando excessivamente melindrados com certos temas? Será que para certas características que não nos atraem devemos nos sentir mal por isso? Não estou falando de um indivíduo se recusar a se sentar na mesma mesa, ou apertar a mão de outra porque ela tem uma determinada característica. Não, isso não é predileção, é preconceito mesmo. Eu particularmente não entendo como que as pessoas acham normal uma mulher não se sentir atraída por mim pelo fato de ser careca, enquanto se isto acontecesse com um gordo seria motivo de um rebuliço com direito à classificação do crime com o uso de termos técnicos como gordophopia.
Talvez eu tenha dificuldades de entender isso exatamente por não ter restrições a esse tipo de assunto. Aliás, posso afirmar que não tenho predileções mesmo, o que eu tenho de verdade é pressa. E mesmo assim não tenho obtido muita sorte por aí. Como dizia, minha lista de restrições é quase nula. Com a exceção da existência de um pau no meio das pernas, qualquer outra característica em uma mulher não seria um empecilho. Obviamente que algum amigo sacana diria que, para o problema de a mulher ter um pau, bastava virar de costas para ela que eu o não veria.
Virando de costas para a característica que o desagrada, ou apenas rejeitando o todo, vale a pena refletir. Qual a característica que para você não rola de jeito algum? Você se sente mal por isso?

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quarta-feira, 29 de março de 2017

Que sacanagem!

O programa Amor & Sexo comandado pela maravilhosa Fernanda Lima vem cada vez mais conquistando a atenção das pessoas em uma situação paradoxal. A motivação atual do programa é quebrar preconceitos sobre temas relacionados ao sexo, sejam eles voltados à opção sexual, sejam eles voltados às predileções sexuais. Voyerismo, poligamia, transexuais são um dos temas que presenciei. O paradoxo existente reside no fato de que as pessoas que estão assistindo e enaltecendo o programa são exatamente as que enxergam a normalidade nesses temas. Isto é, o programa em si, com a melhor das intenções, ainda não quebra os tabus como pretende. Os que elogiam são os que ficaram agraciados em ver um tema diferente dentre dos comumente tocados pela grade televisiva tradicional, contudo, ao mesmo tempo, um tema corriqueiro para eles. De qualquer forma, a intenção do programa continua sendo válida e, se a cada episódio, uma pessoa a mais ficar conscientizada que, o que era antes considerado anormalidade, é na realidade uma normalidade, já será uma enorme vitória.
Como disse, já vi alguns temas, mas poucos. Televisão não é o meu forte. Ainda assim, como todo (projeto de) cronista, sinto-me no dever de meter meu dedo e fazer minha sugestão. Obviamente, aqui, assumo a possibilidade de estar cometendo um equívoco ao sugerir algo já citado em episódios passados.
Desde o primeiro episódio que assisti, eu fiquei na cabeça com a possibilidade de um episódio especial com o título Amor Sem Sexo. O tema seria inteiramente voltado para as pessoas que são consideradas assexuadas. Ora, nada mais esperado que um programa que fale de sexo abordar pessoas que não gostam de sexo. Ok, talvez o verbo gostar seja muito forte e algumas pessoas que se encaixem nesse grupo se sintam ofendidas. Acredito que o mais apropriado seja substituir o verbo gostar por “não ligam tanto assim”.
Jamais cometeria o despautério de colocar assexuados no mesmo balaio que homossexuais ou transexuais, por exemplo. Todavia, seria uma injustiça negar que eles sofrem discriminação. Talvez uma discriminação mais velada, mas existente. Quem nunca julgou um colega como gay só porque ele nunca foi visto com mulheres, mesmo nunca tendo sido visto com homens? Já cogitou a possibilidade de ele apenas não curtir a coisa num todo? Ou a pior de todas, aquela em que julgamos como problemática, infeliz ou doente a pessoa que está um enorme período sem transar. Aliás, julgar infeliz uma pessoa que não transa é o maior dos equívocos que se pode cometer. É muito mais fácil encontrar uma pessoa infeliz que transa. Já imaginaram quantos homens ruins de cama existem por aí? Homens que não chupam? Mulheres que não chupam? Mulheres que transam mal? Então, vale a pena repensar esse preconceito. Inclusive, principalmente as pessoas que transam todos os dias. É tão comum ouvir alguém encher o peito e dizer com orgulho que no seu relacionamento tem sexo todo dia. Agora pensem no parceiro. Será que para ele é de fato tão prazeroso assim? Será que ele não trocaria uma noite de sexo por uma noite no sofá olhando para o teto falando sobre o nada?
Antes que alguém me pergunte, sim, sexo é muito bom. Se quero todo dia? Depende! Com quem, as condições e, o principal, a época. Sabemos bem que temos fases. Até mesmo os que possuem uma obsessão sexual têm suas fases. Existem épocas em que tudo está bem, se encaixa (não somente literalmente, seus danadinhos) e o sexo acontece naturalmente com frequência. Meu último bimestre do ano passado foi sensacional. Em contrapartida, meu início do ano foi exatamente o oposto. E em ambos estava de boa. Não me senti pressionado em um, tampouco frustrado em outro. Até o meu próprio “mentor” Charles Bukowski, conhecido como velho safado, teve sua fase inofensivo, se assim podemos dizer. Em seu livro Mulheres, ele se lembra de um período de dois anos (é, às vezes dói ler isso) sem sexo. Nada lhe dava disposição para tal, sua cabeça estava longe.
O que importa é saber desmistificar como funciona a cabeça de uma pessoa assexuada e entender que aquilo é tão normal quanto querer sexo sempre que possível. Obviamente, faz-se necessário discernir o que é não ter predileção por sexo de “estou de boa”. Você pode até aguentar um período sem sexo, afinal não é um animal que vai sair enfiando o pau em qualquer canto, ou esfregando a xoxota em qualquer objeto. Entretanto, o que os define como assexuado não é ficar um período sem sexo, mas exatamente ficar esse período sequer pensando em. É como o imposto de renda que apenas nos lembramos porque no início do ano aparece um monte de notícias sobre.
Acredito que será um grande tema a ser aprofundado: como ter uma relação amorosa sem pensar em sexo? Como existe a demonstração de carinho? Existem momentos de afeto? Como são? A coisa esquenta e a que ponto? Já pararam para pensar sobre isso? Aposto que neste momento estão tentando se recordar da última vez que apenas pensaram em sexo e estão se julgando como pervertidos. Já eu, só penso na possibilidade de receber um convite da Fernandinha Lima para falar sobre isso no seu programa.

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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Que sacanagem!

Um dos temas que mais tem ocupado as principais páginas da mídia é o tal muro do Trump. Não sei ao certo como ele vai funcionar porque tive preguiça de pesquisar a fundo. Aliás, na minha cabeça, seu funcionamento já está definido e se encaixa perfeitamente nessa crônica. Então, por motivos de conveniência, vai a minha versão como a oficial.
Agora que colocaram o doido do Trump como presidente dos Estados Unidos, o inevitável e tão falado muro está por vir. A proposta, que só faz sentido naquela cabeça que usa um topete sem sentido, é proteger o país de estrangeiros ilegais. Obviamente que isso vai dar uma merda do cacete e o próprio povo estadunidense vai pagar por isso também. E não falo da parte financeira de montar o muro. Estou me referindo a sofrer revés depois de erguida a parede da discórdia. Todo dia centenas de estadunidenses cruzam a fronteira por algum motivo particular. Com o muro, é possível que isso acabe por conta de alguma retaliação vinda do outro lado. Nada mais justo, diplomaticamente falando. Para o povo, é uma puta sacanagem. Imagine não poder mais cruzar a fronteira para comprar tequila legítima de primeira por preço de cachaça de botequim? Nem me venham falar que na terra do Tio Sam se encontra José Cuervo ou Sauza por preços módicos. Não é a mesma coisa. É como se fossemos obrigados a nos contentar com cachaça Pitu porque nos proibiram de pegar cachaça artesanal em Minas Gerais. Apesar de não corrermos o risco de ter um muro erguido na fronteira do Rio de Janeiro com Minas Gerais. Já na fronteira de São Paulo com o Paraná é algo que eu não colocaria a minha mão no fogo.
Se a perda do acesso à bebida já é algo suficientemente grave para se rever a tal ideia estapafúrdia, imagine quando analisamos a perda cultural. Imagine não poder cruzar a fronteira e desfrutar do Dia de Los Muertos em Tijuana? Trata-se de um evento fantástico que mistura religião, carnaval e adrenalina. Afinal, acontece na cidade mais violenta daquele país. Portanto, você pode estar em um momento venerando os mortos e, minutos depois, estar sendo venerado pela multidão.
Ainda sobre a parte cultural, é impossível deixar de falar sobre a maior referência artística do país das tortilhas. É quase uma tradição para os pós-adolescentes estadunidenses cruzar a fronteira para ver o clássico show The Lady And The Burro. Explico para os que desconhecem a tradição. O show é basicamente isso mesmo que o nome diz. No palco entram uma bela mocinha e um jegue. O que acontece depois é a maior bizarrice da história. Sim, eles transam ao vivo na frente de todos. Filha de uma família de mágicos, a bela jovenzinha, igualmente às caixas dos seus pais, tem fundo falso e manda ver com o quadrupede que faz um esporro de corar aquela vizinha escandalosa que finge orgasmos toda noite de terça-feira. Pensando bem, com a construção do muro, privar os jovens desse show de horrores talvez seja o único ponto positivo da proposta autoritária do biruta do Trump.
Eu, para ser honesto, sequer sei se já começaram a construir o muro. Será que eles precisam de licitação? Vai ter superfaturamento? Aceitariam a Odebrecht como concorrente na disputa dentre as empresas de engenharia envolvidas? Os tijolos serão posicionados de pé ou deitados? Ou nem tijolos usarão? Não posso responder a essas perguntas, pois sou muito desinformado em diversos assuntos. Um deles que mais me aflige e que está diretamente ligado ao muro é a tal da Sol. Talvez vocês se lembrem da protagonista da novela América que pretendia ultrapassar a fronteira ilegalmente. Ela já conseguiu? Porque, caso negativo, é importante que ela agilize essa cruzada ou vai dar de cara na parede. Ou muro, melhor dizendo.
Vale lembrar que a tal protagonista de desenterrei do fundo do baú das novelas era interpretada pela atriz Débora Secco. Essa mesma atriz que na semana passa declarou que tinha problemas com fidelidade e mentiras. Isto é, ela assumiu publicamente que pula o muro, digo a cerca, com a maior naturalidade possível e não hesita em manter a mentira dentro da sua conveniência. Realista como sou, sei que não existe números suficientes para representar a probabilidade de ela cometer uma traiçãozinha de leve comigo. Todavia, ela podia me mandar uma mentirinha ao menos. Ser chamado de lindo por ela seria tão fabuloso quanto poder dizer aos quatro cantos que sou o corno oficial dela. Não, não ligo para essas coisas. Fazendo em casa o dobro do que apronta na rua, a contabilidade me sai favorável. Claro que, para outros cabras, isso soa extremamente ofensivo. Alguns, imagino eu, mesmo com a espetacular oportunidade de ter algo com ela, rejeitariam a proposta por conta da sua declaração. Outros, até aceitariam, mas acredito que sob a condição de construir uma espécie de muro do Trump ao seu redor.


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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Que sacanagem!

Assim como Mel Brooks tem respaldo para avacalhar com os judeus e o Chris Rock possui abertura para debochar dos costumes dos negros, eu tenho licença poética para falar de tatuagens, principalmente as escrotas. Grande estudioso do assunto, seja ele sobre tatuagens, seja ele sobre escrotidão, exibo em meu corpo algumas delas, dentre as quais duas se adequam no quesito escrotidão.
Uma das maneiras mais fáceis de obter sucesso (ou seria vergonha?) com o tema tatuagens escrotas está na ideia de homenagem. Tratando-se de futebol então, as chances de dar uma bola fora são enormes. Se for torcedor do Manchester City, aí nem se fala. Aparentemente, eles são campeões em fazer cagadas (bem, em alguma coisa precisavam ser campeões). Talvez o mais famoso seja um Simon Hart que tatuou um enorme Wayne Rooney nas suas costas com os dizeres “Lenda do City”. Com um enorme macho de braços abertos nas costas e a notícia (na época) que a lenda tinha renovado com seu maior rival (Manchester United), Simon protagonizou uma vergonha imensurável. Bem, na verdade, é possível medir, sim, a cagada do torcedor afobado. Afinal de contas, ele pagou a bagatela de 500 libras por esta façanha patética. Como disse, foram vários casos, inclusive o caso do torcedor que tatuou a taça da Liga dos Campeões dando o título ao time no ano em que acabou eliminado nas oitavas-de-final. Bem, o que esperar quando o próprio clube resolve aprontar com todos os torcedores mudando o próprio escudo? Menos pior que o próprio se prontificou a bancar as sessões de remoção das tatuagens com o escudo antigo.
Recentemente, coisa já desde ano, tivemos um novo episódio de cagada envolvendo tatuagens. Não, não foi com torcedor do City, muito menos sobre futebol. Foi com um brasileiro mesmo e envolvendo uma atriz pornô. Um jovem punheteiro brasileiro, Fernando alguma coisa, se empolgou com a frase “Vou homenagear fulana” e lascou uma tatuagem do rosto da atriz pornô Mia Khalifa na própria coxa. Com o intuito da sua estupidez chegar até a homenageada, o rapaz postou uma foto do feito na internet e marcou a danadinha. Deu certo. Bem, em partes. A imagem chegou até ela, mas a reação não foi a esperada. Mia, que pelos filmes topa tudo, não gostou do que viu e desceu um esporro toda puta (puta no sentido de zangada, longe de mim julgar essa bela profissão) no rapaz.
Se na minha cabeça (não literalmente) tatuar um jogador de futebol não faz o menor sentido, o que direi de uma atriz pornô? Aliás, vou mais a fundo (não na atriz, infelizmente), não entendo o conceito de conhecer as atrizes pelo nome. Longe de mim dizer que não são dignas disso. Apenas estou me baseando no fato que homem quando vai ver filme pornô só dá uma olhadinha no início e pula direto para o final para agilizar as coisas. Quando prestar a atenção em todo um filme de dezesseis minutos é algo impossível, imagine se atentar a créditos e acompanhar a “fodabiografia” da atriz. As coisas, de fato, estão diferentes do meu tempo. Naquela época, não recebíamos vídeo de putaria a cada cinco minutos em grupos de Whatsapp, até porque nem existia celular. Não existia computador para acessar site de sacanagem. Sim, a punheta já existia. A tarefa era complexa. Tinha de soltar uns gracejos, tipo por fora, com o coroa da banca de jornal para vender revista de sacanagem. Era uma coisa de dez páginas com algumas fotos, poucos closes e zero enredo para não corrermos o risco de nos distrairmos. Os poucos que conseguiam a façanha emprestavam para o resto da rapaziada menos afortunada. Afinal, ninguém quer viver cercado de amigos andando com balas na agulha o tempo todo. Uma vez ou outra, um novato dava aquela chamada “garoteada” e colavas as páginas das revistas comprometendo parte do material. Tirando isso, tudo corria dentro da normalidade da putaria compartilhada à moda antiga. A ansiedade era tamanha ao receber o material inspirador que sequer líamos a legenda das fotos ou dávamos atenção para a capa. Íamos direto para as páginas que nos interessava, homenageávamos (manualmente, sem agulhas e tintas) a gostosona em pelos e seguíamos com a troca arcaica de sacanagem entre amigos.
Voltando à malfada homenagem. A mocinha não somente esculhambou com o menino, como o fez por tópicos. Sim! Quem diria que uma tatuagem de um rosto na coxa faria uma atriz pornô escrever um post tão longo (até porque a especialidade delas é com outro tipo de coisa longa). Mia começou o post chamando o rapaz de idiota, para qualquer um, isso seria suficientemente claro para que ela registrasse seu ponto de vista em relação à homenagem. Contudo, como disse, ela foi adiante e fez barba, cabelo e bigode (ou boquete, boceta e cuzinho). Reclamou do alinhamento das sobrancelhas, odiou a arte do nariz, alegou que parecia mais velha, dentre outras coisas. Por fim, talvez na única parte sensata em toda essa história, ela desejou boa sorte ao rapaz quando tentasse explicar aquela tatuagem para alguém especial. Ora convenhamos que um rapaz que faz isso já deixa implícito que arrumar alguém não é o seu forte, não é mesmo? Aliás, a Mia pode até ter ficado irritada com a história, mas nada vai se comparar com a ira do tal Fernando quando descobrir que tem marmanjo batendo uma pensando na coxa dele.

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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Que sacanagem!

Vocês devem ter visto a história que ocorreu nesta semana do técnico de futebol que foi dado como desaparecido provocando rebuliço na internet. Provavelmente viram também que o cidadão foi encontrado em um motel no meio de uma pelada, literalmente assim espero. Ou então sofrendo um revés durante a pelada tomando de quatro, dependendo da opção sexual dele que, aliás, não nos diz respeito. Não se sabe ao certo como encontraram o profissional das bolas. E não digo do estado, se estava pelado, em plena ação, dormindo ou refletindo se valia mesmo a pena pagar quinze reais em um saquinho de amendoim do frigobar. Estou me referindo aos meios mesmo, talvez o telefone tocou insistentemente até que ele atendesse, encontraram o arisco técnico pelo carro estacionado nas instalações da arena fodal, ou alguém muito íntimo o localizou pelo cheiro. O fato é que em um motel reside um código de conduta implícito que as pessoas parecem não respeitar. Já notaram que não existe em motel plaquinha de não perturbe na porta? Pois é! Isso porque é óbvio que ninguém quer ser importunado naquele local. Tanto que pedidos de comidas e bebidas são deixados em uma antessala quase que em um esquema de presídio de bacana.
O que importa na história do técnico que estava escondido no meio de alguém é que, mais uma vez, a humanidade se intrometeu em um dos lugares mais sagrados da civilização moderna. Obviamente que existem casos drásticos que devem ser tratados como exceção. Um deles é o do falecido marido da atriz, cantora, musa e Paquita Susana Vieira. O garotão arrastou uma donzela (não a esposa, mas a amante no caso) para um motel e enfiou o nariz onde não devia. Duas vezes! A primeira vez na donzela e a segunda em uma generosa carreira de cocaína que o fez bater as botas por lá, mesmo estando descalço vestindo apenas uma sunga branca. Numa situação como essa, a impenetrabilidade do quarto de um motel, que diferentemente não se aplica a quem o frequenta, precisa ser rompida. Afinal, o homem já estava durinho quando chegaram. Digo, quando eles, a polícia e os bombeiros, chegaram, o pulador de cerca estava todo duro. No sentido de eles, o marido intrépido e a donzela, apenas uma parte estava dura quando chegaram.
Casos de infidelidade são os mais delicados. Alguns cônjuges, tomados pela ira de terem sido traídos, descumprem o trato internacional contra violação dos quartos de motel e invadem abruptamente o recinto para flagrar os fornicadores infiéis. Segundo vovó, isso é muito arriscado. Trata-se de uma combinação perigosa. O susto de ser surpreendido somado ao vento da porta aberta pode resultar no casal ficar preso naquela posição para sempre.
Não se tem conhecimento de um método adequado para se portar quando pretende flagrar seu cônjuge no motel com outra pessoa. Diversos estudos de casos se mostraram falhos em algum artifício pelo menos. Um caso que me recordo é o do marido que, desconfiado da esposa, decidiu seguir a moçoila. Ela tinha dito que iria ao salão fazer as unhas, mas, na verdade, estava com um amigo do casal no motel. Respeitando o código do “não entrarás, feladaputa”, o marido esperou no estacionamento. Talvez aqui ele tenha cometido um óbvio equívoco, pois deu tempo do par fura-olho desenvolver os trabalhos com calma. Quando finalmente saía do motel, a dupla foi surpreendida pelo marido furioso que sentou o cacete no falso amigo, não da mesma maneira que o fura-olho fez com a esposa. Sei apenas que foi uma baixaria sem fim. O marido irado quebrando tudo, o amante bem calminho (sabemos bem o porquê) e a esposa aos prantos que, para piorar a cena, estava com as unhas por fazer.
Voltando ao professor, como os técnicos costumam ser chamados pelos seus atletas, inclusive pelos que não o respeitam, ele não estava em impedimento. Sua situação era legal (não usei o termo posição porque ficaria dúbio mediante a história). Fico na torcida que ele não precise, em ocasiões futuras, avisar ao seu contratante quando for bater uma bolinha em território profano discreto. Como disse, isso é da conta dele, até ficarmos sem assunto por aqui, obviamente.

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