Mostrando postagens com marcador Queimando o filme. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Queimando o filme. Mostrar todas as postagens

domingo, 9 de novembro de 2014

Queimando o filme

Clássicos do cinema em versões mais realistas e factíveis. O texto a seguir pode conter termos chulos e ofender pessoas frescas que não sabem lidar com sarcasmo ou imaturidade gratuita.
Sons of Arnarchy
A série americana de TV Sons of Anarchy é um sucesso. Motoqueiros com cara de mau e fora-da-lei se metendo em briga e negócios perigosos viraram a nova febre da televisão. Contudo, sabemos muito bem o quanto os roteiristas costumam fantasiar nas histórias. Ainda mais com um tema o qual eu domino bastante, pois sou um motoqueiro com cara de mau e viril. Portanto, hoje reescreveremos a primeira e única real temporada de Sons of Anarchy. “Ridin' through this world, all alone...”
Capítulo 1: Os Sons têm um assunto importante para resolver com os Mayans. Eles se reúnem na sede, conferem armas e os planos. Depois ficam na mesa externa esperando a chuva passar, pois motoqueiro não anda na chuva. O episódio termina com eles consultando os sites de meteorologia para saber se vai chover no dia seguinte;
Capítulo 2: Continua chovendo e os Sons agora têm uma decisão difícil para tomar: quem vai à rua comprar comida para eles? O episódio termina com a Gemma servindo com uma macarronada feita com muita intriga e arrogância;
Capítulo 3: Finalmente o tempo está bom para os motoqueiros irem às ruas resolverem suas pendências com as gangues rivais, mas beberam tanto na noite anterior que estão com uma ressaca insuportável. A enxaqueca sequer permite que liguem as motos. O episódio termina com Jax segurando o cabelo de Ope para que ele possa vomitar, mostrando assim a amizade sincera deles;
Capítulo 4: Nasce Abel, filho de Jax com a cracuda da cidade. A criança possui vários problemas. O coração funciona com dificuldade, os intestinos ficaram expostos e os pais não têm Unimed. Ainda assim, sem a menor cerimônia, permitem que Jax entre na UTI pré-natal e segure o bebê no colo sem uma preparação prévia. Ao final do episódio, Abel morre por conta de uma grave infecção generalizada que pegou das diversas bactérias acumuladas no colete imundo do pai;
Capítulo 5: Preocupada com a possível repercussão que a morte de Abel pode ter dentro do clube, Gemma espalha que o bebê foi morto por um latino de moto. Os Sons não têm dúvida que foram os Mayans e partem para o clube deles para uma represália. No caminho eles precisam parar algumas vezes para que Piney possa fazer xixi. O episódio termina com eles desistindo e retornando à sede para preservar a próstata de Piney;
Capítulo 6: Este capítulo tem um tom mais filosófico. Os Sons estão na chamada capela e decidem discutir sobre a confusão que andaram causando todo esse tempo por conta da mania de se referirem a eles mesmos como Sons, MC, SAMCRO, Sam Crow e gangue. Depois de uma longa e acalorada reunião, fica decidido em uma votação apertada que o nome oficial vai ser apenas Sons e mais nenhuma variação. O episódio termina com os tradutores e técnicos de legenda comemorando;
Capítulo 7: Após compreenderem que estão à beira de uma guerra com os Mayans, os Sons resolvem conversar com as demais gangues da região para pedir apoio. Clay e Jax pedem uma reunião com o chefe dos Niners, uma gangue de rua composta por negros. Eles se encontram então em um galpão deserto bem distante da cidade. Jax explica que vai atacar os Mayans. Ao ir embora, o chefe dos Niners fica puto e dá um esporro em Jax e Clay que o tiraram do outro lado da cidade para dar esse recado de cinco minutos e mais nada. Ele fala ainda que está cansado dessas reuniões distantes que duram quatro frases apenas. Por fim, avisa que só vai dar atenção a eles por torpedo. O episódio termina com os Sons indo a uma loja da AT&T para fazer um pacote coletivo de SMS;
Capítulo 8: Finalmente Sons e Mayans se encontram para acertar as contas. Um tiroteio de grandes proporções acontece no meio da avenida principal de Charming que, diferentemente dos capítulos originais, está repleta de pedestres. Outra diferença para os capítulos originais é que agora eles possuem uma mira digna de seriado desse tipo. O saldo final é de 18 feridos entre Mayans, Sons e transeuntes, 22 mortos, sendo 12 Mayans, 5 pedestres e 5 Sons, além de 8 motos que explodiram quando os tanques foram alvejados. O episódio termina com o funeral dos Sons, mas como só tem um cemitério na cidade, também está acontecendo o funeral dos Mayans e dos inocentes que também morreram no mesmo tiroteio. Com isso acontece uma nova zona com tiro, porrada e bomba em fade out;
Capítulo 9: Os Sons estão com um problema sério. Seu quantitativo foi reduzido drasticamente no último capítulo restando 3 vivos e mais dois gravemente feridos. A preocupação com outras gangues tentando tirar proveito disto aumenta, obrigando que tenham cautela nas próximas ações. Ainda assim, como todo esse clima de tensão no ar, o capítulo é focado em Gemma que arruma uma briga no supermercado, discute com um guarda de trânsito e em casa não consegue se decidir se toma seu remédio para menopausa ou se vai transar com Clay mesmo com a vagina ressecada como uma pedra pome. O episódio termina com Jax gritando algo que poderia ser dito tranquilamente, mas aparentemente esta é a única maneira que ele sabe atuar;
Capítulo 10: As preocupações que cercam os Sons estão cada vez mais constantes, mesmo assim, o capítulo será sobre relações familiares. Jax vai ao encontro de Tara para tentar que fiquem juntos. A talentosíssima médica, única que opera corações de bebês, atende velhos baleados e faz exames de sangue, se recusa a falar com o motoqueiro malvado. Ela diz que precisaria estar doida para andar com uma pessoa tão inconsequente e de características tão repulsivas. Em seguida, ela vai embora da cidade para trabalhar com o doutor Gregory House. Já Ope continua em sua árdua batalha de convencer a esposa de que voltar para os Sons vai ajudar nas finanças da casa. Entretanto ela continua irredutível e segue com sugestões mais conservadoras como fazer extra de Natal na Taco ou se inscrever no Pronatec. Já na casa do terceiro casal da série, Clay e Gemma, a porrada continua cantando solta. Clay estoura o crânio de Gemma na bancada da cozinha e liga para Unser para que crie uma nova cena do crime. O episódio termina com Unser e Clay explicando para os outros Sons que quem fez aquilo foi um negro em uma moto;
Capítulo 11: Com a história inventada sobre a morte de Gemma, os poucos Sons remanescente prometem vingar a morte da “mama” da gangue. Clay, Tig, Jax, Bob Elvis e Juice estão prontos para a guerra. Eles convocam Ope que continua afastado, além de mais quatro novos candidatos a Sons: Zeca Urubu, Pouca Tripa, Zé Colmeia e Cara de Sinteko. Fica implícito aqui que a reputação dos Sons na região caiu muito com os últimos eventos. A caminho do clube dos Niners, a moto de Jax fica sem gasolina, a de Elvis fura o pneu e a de Tig arrebenta a correia, eventos corriqueiros no mundo dos motoqueiros, mas que aparentemente nunca aconteceram no seriado original. O episódio termina com Clay esperando na musiquinha para ser atendido pela assistência 24 horas da seguradora deles;
Capítulo 12: Após uma revisão minuciosa em suas motos, os Sons finalmente saem para vingar a morte de Gemma. O encontro com os Niners é hostil. Os três novatos são os primeiros a morrer porque só levaram facas para um tiroteio (lamento muito se você não pescou essa referência clássica). Bob morre em seguida por ser um alvo, digamos, fácil. Ope toma a frente e também morre. Juice, com medo, sobe na moto e vai embora. Restam apenas Clay, Jax e Tig, todos os três encurralados atrás de uma lixeira. Clay então propõe um diálogo e estranhamente os Niners aceitam. Conversando separadamente com o líder dos Niner, Clay o convence a criar uma nova mentira para a morte da Gemma. A nova versão é que não foi um negro em uma moto, mas um chinês pintado de preto em uma moto. O episódio termina com os Sons sobreviventes parando em frente a uma pastelaria;
Capítulo 13: Sem avisar, Jax, Clay, Tig e Juicy invadem a pastelaria Mr.Wong, clube da gangue Lin Triad. A cena é um tiroteio digno de Tarantino. Balas, sangue, caldo de cana e pastel voando para todos os lados. Clientes se jogam no chão pedindo socorro. Sons se jogam atrás das mesas pedindo ajuda uns aos outros. Chineses se jogam no chão gritando para fechar o caixa e guardar os trocos. O resultado final é uma chacina. Cinco clientes mortos, oito chineses mortos e todos os Sons mortos. O episódio termina com ambulâncias e bombeiros chegando ao local;
Capítulo 14: Por falta de elenco, o último episódio da temporada é com o cara obeso do necrotério cremando os últimos Sons enquanto come Cheetos ao son de Lynyrd Skynyrd.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Queimando o filme



Clássicos do cinema em versões mais realistas e factíveis. O texto a seguir pode conter termos chulos e ofender pessoas frescas que não sabem lidar com sarcasmo ou imaturidade gratuita.
De volta para o futuro
Estamos no ano de 1985. Na casa dos McFly as coisas continuam na mesma rotina de anos e anos. George, o pai, segue frustrado com seu emprego deplorável de vendedor de planos da AT&T. Para piorar, ele é alvo de piadas e humilhações do seu chefe e vizinho Biff Tannen. Lorraine, a mãe, segue cada vez bebendo mais, o que a acaba a deixando fora de forma, motivo para beber mais e mais, formando assim um círculo (literalmente) vicioso. Os dois se conheceram quando Lorraine atropelou George na época da faculdade. Ainda assim, mesmo com essa história sendo contada frequentemente para os filhos, sempre existiu a impressão de que os dois escondiam algo sobre o acontecimento, sobre a passividade de George com Biff e o motivo da bebedeira de Lorraine.
Dos três filhos do casal, Marty é o mais safo de todos, o que não é digno de muito reconhecimento. Dave é um retardado que só sabe ler quadrinhos de super-heróis, jogar pinball na lanchonete da esquina e comprar bonequinhos do Falcon. Ele tem mais de dezoito anos. Linda está no décimo ano na faculdade local do governo. Ela começou fazendo sociologia, depois foi para comunicação, passou para filosofia, transferiu para letras e atualmente está fazendo apenas disciplinas eletivas enquanto aguarda a abertura do curso de responsabilidade sócio-ambiental em países comunistas. Ela é bolsista e ainda não se formou em um curso sequer.
Voltando ao Marty, ele está na escola e tudo que sonha é que sua banda faça sucesso, mesmo com um vocalista que tem temperamento imprevisível e notórios problemas em manter o peso. Seu único incômodo era com o nome da banda, motivo que o fazia discordar dos companheiros. Em um ensaio, depois de muita discussão por conta do nome, Marty é informado que será substituído por outro guitarrista caso não aceitasse o nome Guns and Roses.
Sem banda, Marty passa a ficar cada vez mais amigo do Dr.Emmett Brown, um engenheiro esquizofrênico, hiperativo, dislexo, desempregado e marginalizado pela comunidade científica por ser viciado em LSD e mescalina. Frequentemente Marty ia ao que Dr.Brown chamava de laboratório, uma garagem escura e suja, entulhada de quinquilharias que não funcionavam e coisas que um dia funcionaram, mas também foram desmontadas e não funcionam mais.
Certa noite, a pedido do cientista demente, Marty vai ao estacionamento de um mercado local. Lá encontra o Dr.Brown encostado em um DeLorean cheio de gambiarras. Com os olhos vidrados, fala acelerada e mãos nervosas, o criador explica ao jovem do que se trata a criatura. É uma máquina do tempo. O veículo que agora é movido a plutônio, depois de acertada a data destino no teclado de um Odyssey instalado no painel do carro, ao alcançar 120km/h viajaria no tempo. Enquanto Marty do lado de dentro do carro estava fascinado com aquela maravilha tecnológica e o Dr.Brown do lado de fora encenava seu processo criativo com gestos exagerados e movimentos cartunescos, uma van com alguns traficantes locais se aproxima. Eles querem cobrar uma dívida que o engenheiro adquiriu comprando supositórios alucinógenos. As coisas então saem do controle, os traficantes matam o desvairado cientista e Marty, assustado, foge com o carro que, ao alcançar a velocidade de 120km/h, viaja para a data que tinha brincado de colocar: o dia em que seu pai e sua mãe se conheceram em 1955.
Voltando no tempo, é óbvio que o local não seria igualmente um enorme estacionamento de mercado. Então, completada a viagem, assim que se materializa, o carro se esborracha em uma árvore. É perda total, nem adianta tentar fazer com que ande novamente. O motor voou longe, o Odyssey ficou em pedaços e o plutônio vazou transformando os pobres répteis que lá próximo estavam em tartarugas ninjas mutantes. Sem opções, ele cobre aquele monte de ferro retorcido com folhas, galhos e mato seco, seguindo a técnica de construção de cabanas aprendida em A Lagoa Azul que até então era para ele um lançamento, para depois andar até a cidade.
Chegando ao centro da cidade, Marty passará por diversas situações sobre coisas e costumes da época para mostrar que os roteiristas são antenados, até que enfim algo que preste vai acontecer. Andando pela calçada, ele vê seu pai, agora mais novo, atravessando a rua e depois sendo atropelado por sua mãe, uma gostosinha diga-se passagem. Ele chega a se recostar na parede de uma loja para mais à vontade presenciar o que seria a cena mais romântica da história de sua vida, e o que acaba acontecendo é um grande circo. Vários homens começam a cercar o carro acusando Lorraine de tudo e mais um pouco. Ouvem-se gritos coletivos de “piranha barbeira”, “vai pilotar fogão”, “mulher no volante, perigo constante”, “mulher no pedal, ameaça mortal” e um tímido ao fundo “eu comeria fácil, ela e o atropelado”. Marty, que esquecera ter voltado para uma época de predominância machista, fica assustado com aquilo tudo e não sabe o que fazer com medo de estragar o futuro, até que a polícia chega junto de uma ambulância. Pai George vai para o hospital, mãe Lorraine vai para a delegacia. Sabendo que o pai vai sobreviver, ele opta por seguir a ambulância usando um skate roubado de um adolescente. Essa cena em particular é assumidamente absurda, mas se faz necessária pela gravadora patrocinadora que queria uma oportunidade para colocar a música hit do filme.
O caos está formado na delegacia. Uma turba de homens coléricos pede a cabeça da menina que, ao invés de estar em casa desenvolvendo seus talentos domésticos, colocou em risco a vida de um rapaz ativo capacitado para sustentar uma família em um futuro próximo. Marty opta por ficar no meio daquilo tudo por cautela. O tumulto é tamanho que ninguém nota que ele veste um casaco do Boston Celtics com o número 33 e o nome Larry Bird gravado nas costas em comemoração ao título de 1981. Aqueles homens conservadores que são fãs de esportes não percebem, os repórteres sequer reparam e o roteirista é demitido depois disso.
Horas depois Lorraine é finalmente liberada após pagamento de fiança. Marty fica surpreso ao saber que quem pagou a fiança é a mesma pessoa que vai levá-la para casa: o jovem Biff Tannen. Indignado, Marty resolve seguir os dois com seu skate para que possam tocar a parte restante da música hit que ficou incompleta na primeira cena que era muito curta, mesmo para uma música pop de três minutos e meio.
Escondido no jardim e próximo à janela do quarto de Lorraine, Marty ouve a conversa dela com Biff. O que ele ouve é perturbador, aparentemente os dois são namorados. Incrédulo e disposto a confirmar o contrário, ele se levanta um pouco para enxergar o que se passa no quarto e flagra os dois se beijando. Ele se sente mal com aquilo, volta a se abaixar e tenta controlar a mente que está em uma velocidade descontrolada insinuando várias besteiras para ele. São longos minutos ali abaixado com os piores pensamentos possíveis. Como era possível a sua própria mãe, aquela santa criatura alcóolatra, trocando beijos com o rapaz que um dia seria o homem que humilharia seu pai dia após dia? Ele não poderia se conformar com aquilo e decide então surpreendê-los. Ao se levantar, o que era antes um pesadelo vira uma pequena imagem desconfortável perto do que presenciava. Sua mãe aplicava um guloso boquete em Biff. Ele passa mal, vomita no vidro da janela, desmaia e é sorrido por Biff com pau ainda de fora, das calças e da janela.
Mais tarde, com a consciência retomada, Marty está no quarto de Lorraine que ainda está acompanhada de Biff. Acontece uma longa e cansativa cena de diálogo entre eles até que seja explicado quem ele é e o que fazia ali. Todos convencidos que ele era um estudante de outra cidade perdido, o casal resolve ignorar o fato de ele ser um total estranho e começam a confabular em sua presença. Aparentemente, Lorraine seria condenada por atropelar George e a única solução era conquista-lo, para que assim ele retire a queixa. Martin, cada vez mais atordoado com a sequência de porradas que recebia horas após horas daquele dia nefasto, se levanta da cama, inventa uma desculpa e vai embora à procura do Dr.Brown.
Quando abre sua porta, antes mesmo que o desconhecido até então Marty pudesse falar algo, o Dr.Brown já antecipa “Desista, rapaz! Estou proibido de fabricar metanfetaminas.”, para a surpresa do garoto que precisa de muito esforço para conseguir a atenção de um agitado e confuso Dr.Brown, que estranhamente aparenta ter a mesma idade de 30 anos depois, provocando mais tarde a demissão do segundo roteirista. Após alguns argumentos de Marty e muitos olhos esbugalhados do cientista aloprado, o rapaz consegue convencê-lo a ir com ele até o DeLorean destruído. Chegando lá, Dr.Brown fica espantado com tamanha tecnologia e sua capacidade de desenvolver algo do tipo. Marty então explica seu problema, tudo que aconteceu e pede para que ele conserte o carro para que possa voltar para o tempo de onde veio, tempo que aparentemente não era tão cruel com ele. Infelizmente Dr.Brown não tem boas notícias para ele:
“Rapaz, isso nunca vai ser refeito! Você está falando com um imbecil desgraçado que passa o dia todo fumando haxixe e tocando punheta para encartes de lingerie que furto da caixa dos correios dos vizinhos. E você acha que é fácil achar plutônio? Ainda mais depois que aqueles porcos da Casa Branca encheram a cabeça daqueles amarelos nojentos dessa merda radioativa na segunda guerra? Esquece! Não tem como! Mesmo que conseguisse comprar plutônio no mercado, precisaríamos consertar o carro. Só que não existe tecnologia atual capaz de substituir aquelas peças. O mais perto desse carro que posso conseguir é um Lincoln Continental 1948, uma banheira gigante que pesa mais que o Titanic e precisaria de uma rodovia inteira para alcançar aquela velocidade. Rapaz, sinto muito por você. Lamento que sua mãe seja uma piranha que vai casar por conveniência com seu pai e manter um relacionamento secreto com aquele brutamontes. Já cogitou a possibilidade de ser filho desse tal de Biff? Pelo que me falou, você é bem diferente de seus irmãos. Você consome drogas? Deveria! Tenho uns adesivos mágicos na minha garagem. Quer vender comigo? Podemos fazer uma grana boa, o que acha?”
O restante do discurso do Dr.Brown é ignorado por Marty. Ele está totalmente desconcertado. Era como se tivessem tirado o chão debaixo dele. Marty estava em sua cidade e perdido ao mesmo tempo. Ele tinha pais e ainda assim era órfão. Estava preso naquela época para sempre e graças a dois doutores Emmett Brown. Primeiro, o do futuro, ou ex-presente, que o meteu em toda essa confusão. Segundo, o drogado e imbecil do passado, ou atual presente, incapaz de resolver seu problema. Não existia escapatória, ele tinha de recomeçar a vida.
Desgostoso com tudo, ele resolve ignorar Lorraine, George, Biff ou qualquer outro vínculo com sua família original. Naquele momento ele se tornara apenas Marty, um misterioso rapaz sem origens que arriscaria a vida no mundo da música. Para isso, ele ficou por um semestre inteiro vendendo drogas alucinógenas fabricadas pelo Dr.Brown em sua garagem para juntar dinheiro e produzir seu próprio disco. Com o primeiro objetivo concluído, ele planeja se apropriar de todas as músicas que eram sucesso na sua época para assim mais rápido alcançar o sucesso.
Dois meses depois de pagar do seu próprio bolso o lançamento do seu disco, Marty voltava a vender drogas para o Dr.Brown. Aparentemente a década de 50 não estava pronta para uma banda chamada Menudo que tocava músicas como Super Freak, Like a Virgin, Kung-Fu Fighting e I Want to Break Free.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Queimando o filme

Clássicos do cinema em versões mais realistas e factíveis. O texto a seguir pode conter termos chulos e ofender pessoas frescas que não sabem lidar com sarcasmo ou imaturidade gratuita.
Poltergeist – O Fenômeno
O bairro tem novos vizinhos, uma família está de mudança para a casa que por tanto tempo estava à venda. O casal Freeling e seus três filhos acabam de chegar com mala, cuia, caixas de papelão, móveis de MDF com prestações ainda por pagar, mas nunca ficarão firmes novamente e o projeto de construir uma piscina no quintal. A ideia original era que, com a mudança, teriam novos ares e, com novos ares, uma nova vida. Só que eles não sabem o que está por acontecer. Até porque, se soubessem, não teriam se mudado, daí não fariam o filme e a garotinha não morreria nas filmagens. Mentira, isso é só uma lenda.
Logo no primeiro dia, eventos estranhos começam a acontecer pela casa. O primeiro é presenciado pela esposa Diane. Ela está cozinha, se vira para pegar um copo e ao retornar, segundos depois, todas as portas dos armários estão abertas e as cadeiras sobre a mesa. Impressionada com a cena, ela grita: “Alzira!”. A faxineira chega e leva um esporro: “Já não tem falei que não quero a cozinha bagunçada? Está arrumando a sala? Termine a cozinha primeiro. Um cômodo por vez, mulher. Que não se repita!” A empregada sai sem nada entender.
Na noite do mesmo dia, acontece o segundo evento. Dana, a filha mais velha que está na adolescência, escuta um barulho estranho vindo do quarto de sua irmã mais nova. Ela entra para ver o que está acontecendo e se depara com o boneco Bozo de quase um metro de altura andando pelo quarto. O boneco então para de andar, aponta para ela, passa o dedo indicador pelo pescoço como quem diz que vai cortar a jugular de alguém e começa a rir. Dana sai correndo, entra em seu quarto e liga para o namorado. Assim que ele atende, ela grita: “Caralho, seu filho da puta! Esse ácido é muito louco! Não tem ideia das merdas que estou vendo.”.
No meio da madrugada começa a cair um temporal, ventos uivantes, trovões que fazem tremer as paredes e raios que iluminavam até os quartos com cortinas fechadas. Em sua cama, Robbie, o filho do meio está assustado com todos aqueles sons e luzes. Ele não consegue pegar no sono e vai para o quarto dos pais que estão dormindo. Depois de acordar o pai, ele conta que está com medo. Steve, o pai, fala que é bobagem. “Basta contar entre um trovão e outro, se o tempo aumentar é sinal que a tempestade está se afastando”, diz para o filho. O garoto então volta para o seu quarto se cagando de medo. O primeiro trovão explode o ensurdecendo. Ele então fala em voz baixa: “Que pai filho da puta. Estou cheio de medo e ao invés de me dar um abraço ou me chamar para dormir com eles, me manda contar e ficar prestando atenção nas merdas dos trovões que estão me assustando.”. Antes que pudesse completar a próxima frase, outro trovão estoura. Assustado, ele corre para a janela e vê a amendoeira que fica logo em frente criar vida e esticar os galhos em sua direção para pegá-lo. Ele grita, volta correndo para o quarto dos pais acordando o casal e conta o que aconteceu. Sua mãe não hesita e diz: “Robbie, todo véspera de prova você inventa uma palhaçada. Cansei. Ouviu? Cansei! Pode voltar para o seu quarto que amanhã você vai para o colégio fazer a maldita prova de matemática.”. Ele então, não mais assustado, mas frustrado, volta para o quarto, anda até a janela, abre e grita para a árvore: “Me leve com você para longe desses pais desnaturados.”. A árvore se vira para ele e diz: “Está pensando que sou o Barbárvore, moleque? Se enxerga!”. Ela então se solta do terreno e vai embora.
Ainda na madrugada, assim que a tempestade para, Carol Anne, a filha mais nova, é acordada com o som da televisão do quarto dos pais chiando. Ela se aproxima do aparelho que está apenas com chuvisco em tela, pois o canal está fora do ar, e depois de alguns segundos a encarando bem perto, ela sorri e começa a conversar com a TV. Ela diz uns “oi”, “olá”, “viva os Teletubbies” e de repente uma mão sai da tela e a puxa para dentro da TV. Toda essa ação provoca um ruído que acorda o casal. Eles olham para a imagem da televisão e parecem incrédulos com o que veem. Um olha para o outro, até que o marido chama a responsabilidade para ele, pega o telefone da cabeceira, disca um número, espera e quando é atendido grita: “Vocês da SKY são uma merda mesmo! Mal pode cair uma chuvinha e o sinal já some! Amanhã vou cancelar essa bosta!”.
Na manhã seguinte, pai, mãe e dois filhos estão à mesa para tomar o café-da-manhã, mas não pensem que é uma família unida. O pai e os filhos que são uns imprestáveis preguiçosos que exploram a mãe para fazer tudo. Tanto que bem depois perceberam que Carol Anne não aparecera para comer. Eles resolvem vasculhar a casa e nada. Não existem dúvidas, a caçula desapareceu sem sair de casa. Decididos a fazer algo para recuperar a filha, tomam a decisão mais acertada que uma família de classe média poderia optar, ligam para o Fantástico.
Algumas horas depois a equipe de filmagem aparece. Tadeu Schmidt inicia os trabalhos usando o detetive virtual para achar alguma fraude na casa. Ele nada encontra e ainda consegue frustrar a todos com suas piadinhas colegiais. Marcio Atalla perde o foco da visita e fica recriminando a comida estocada pela casa. Gloria Maria é confundida com uma assombração e sequer deixam que entre na casa. Acaba sobrando para Renata Ceribelli que fica por horas chamando pela criança, mas sem sucesso, ela não responde. E também nunca responderia. A apresentadora, assim como a maioria dos imbecis que viram o filme, insistia em chamar a menina de Carolaine (escreve-se Caroline). Daí fica difícil que a caçula responda, ela não é adivinha.
Frustrados com a ação fracassada da equipe global, a família então recorre ao Ratinho que não titubeia e manda um grupo de paranormais para a o local. Assim que chegam, Rosamaria de Oxossi, a líder do grupo crava a primeira premonição: a filha está dentro da TV. A família estupefata não entende como isso pode acontecer e pergunta quem está por trás de tamanha atrocidade. A especialista então crava a segunda premonição: a culpa é do local onde levantaram aquela casa. A mãe, de tanto ouvir estórias por aí durante a vida, cogita que a casa foi construída em cima de um cemitério indígena. Só que sua hipótese é rapidamente descartada pela líder da equipe: “Se fosse um cemitério indígena, sua filha não estaria na TV, mas sim em uma cumbuca, canoa ou dentro daquele quadro de tecido cafona pendurado na sua sala de jantar. Esta casa foi construída sobre um antigo posto de saúde do SUS onde diversas pessoas morreram na sala de espera enquanto assistiam TV.”. Convencida, a mãe corre para a televisão e pergunta como pode fazer para falar com a filha. Rosamaria diz que precisam sintonizar no último canal antes dela ser abduzida, para isso bastava apertar a tecla que dá o comando de voltar ao canal antes assistido. É o que mãe faz. A TV sintoniza no canal erótico que passa o filme “Todo mundo na bundinha da Suzana” e todos olham para o pai que rapidamente se justifica: “Ai caralho! Minha filha está desaparecida, fiquei tenso, precisava relaxar!”.
Depois de muito tempo, passando de canal em canal, finalmente conseguem sintonizar no que Carol Anne está presa. A equipe então inicia uma conversa com ela para entender melhor como farão para resgatá-la. A equipe faz várias perguntas, toma nota de algumas respostas, tira fotos da casa, usa uns aparelhos estranhos que piscam e fazem barulhos irritantes. Em seguida, se reúnem na sala e em alguns minutos traçam o plano de ação: “Entraremos pelo armário do quarto de Carol Anne e sairemos com ela pelo teto da sala!”. Dana retruca a decisão: “Mas isso não faz sentido alguma!”. A líder com toda sua experiência acalenta o coração da jovem: “Sua irmã está em um TV. Preciso dizer algo mais?”.
Com todos devidamente informados de como devem proceder, a equipe se prepara para entrar em ação. Erivelton, rapaz afeminado e enrustido, por ser o mais leve é escolhido para entrar no armário, por mais irônico que isso soe. Com uma corda amarrada em uma cintura ele inicia a caminhada. Após dados os primeiros passos, o rapaz grita assustado clamando pelo Senhor. As pessoas perguntam o que foi e ele responde: “Que horror esse monte de roupas da C&A, Renner e Marisa. Coisa cafona!”. Diane argumenta: “Precisamos apertar algumas contas por causa da compra da casa.” Robervaldo, irmão de Rosamaria e pai de Erivelton, vai contando a quantidade de corda que entra no armário como um recurso para saber o quão fundo o rapaz está: “Um metro. Dois metros. Três metros. Nárnia. Cinco metros.”
Com o passar do tempo e preocupada com a filha, a mãe começa a gritar para orientar a pequena: “Não olhe para luz, Carol Anne! Não vá para a luz, Carol Anne!”. Robbie retruca: “Legal! Vocês são foda. Estou me cagando de medo e me mandam de volta para o quarto. Minha irmã está sozinha sabe-se lá onde e vocês mandam ela fugir da luz e ir para o escuro. Só pode ser brincadeira.”. Certa de sua decisão, Diane continua com as mensagens para Carol Anne que responde estar com medo. Enquanto isso, Rosamaria pergunta a Erivelton como estão as coisas e ele diz que aquilo é terrível. Ela pede que ele se esforce e encontre a menina. Erivelton pede um tempo, todos se calam por uns minutos, até ele próprio quebrar o silêncio para dizer que a achou, mas logo depois gritar assustado. Diane desesperada pergunta o que houve e ele responde: “O horror! O horror! Esta menina com este pijama da feirinha de Petrópolis. Que coisa medonha! Joaninhas, ursinhos e brigadeiros por todos os lados. Meus olhos!”. Rosamaria ordena que ele pegue a menina e corra para a saída.
A cena que se segue é antológica. Todos no quarto parados, praticamente petrificados, catatônicos, com olhos vidrados apontados para o armário de Carol Anne. Silêncio. Tanto no quarto, quanto no armário. De repente, um enorme estrondo vindo da sala. Todos correm para lá e se deparam com uma enorme cagada. Erivelton e Carol Anne estão de volta. Ao sair pelo teto, ficaram completamente cobertos de plasma espectoral áureo, mais conhecido como geleca nojenta. Não bastante, nenhum imbecil ficou na sala para segurá-los quando caíssem do teto. Resultado, se espatifaram na mesa de centro de vidro, ficaram com cortes pelo corpo todo e sujaram o que não estava cagado de gosma com sangue. A mãe não se conteve de felicidade e gritou: “Minha filha está de volta! Que alegria, meu Deus! Só não te dou um abraço porque está toda nojentinha, né? Vamos tomar um banho antes?”. Rosamaria anuncia que não dá tempo, todos precisam sair correndo da casa que, logo em seguida, começa a tremer. Primeiro sai a equipe paranormal, depois mãe, filhas, filho e por último o pai que demorou porque voltou para salvar o Blackberry da empresa que se sumisse seria descontado. A casa então desaparece, resta apenas o terreno, o buraco de onde seria a piscina e um envelope pardo. O pai se aproxima, abre o envelope pardo, checa o que tem dentro e grita: “SEUS FILHOS DA PUTA!”. Eram as prestações a vencer da hipoteca.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Queimando o filme

 Clássicos do cinema em versões mais realistas e factíveis. O texto a seguir pode conter termos chulos e ofender pessoas frescas que não sabem lidar com sarcasmo ou imaturidade gratuita.

Uma linda mulher
Um milionário chega à cidade para uma curta temporada apenas para fechar negócios. Em sua primeira noite, entediado, resolve recorrer aos serviços de uma prostituta de beira de calçada. É assim que Edward e Vivian se conhecem.
Chegando ao hotel, Vivian percebe que, pela suíte onde Edward está hospedado, trata-se de um cara mais endinheirado do que ela previa. Ela, puta malandra e calejada, pede que ele pague adiantado e logo após receber a quantia combinada, diz que houve um engano, aumentando o valor do programa. Ele, mesmo sendo um experiente e bem sucedido homem de negócios, fica constrangido e intimidado pela ousadia dela e aceita o novo valor sem negociar.
Com a parte que mais lhe importa resolvida, tudo que Vivian quer é se livrar de Edward. O que não será nada fácil, pois tudo que ele precisa é alguém para conversar e chorar suas lamúrias. Ela então recorre ao infalível boquete.  Edward se cala, mesmo ela sendo a pessoa com a boca ocupada, e depois que ele tiver gozado, será fácil pular fora, pois, convenhamos, homens são assim mesmo.
Quarenta minutos depois e Edward ainda está ali sentado na poltrona com o pau duro. Vivian, que fez uma pausa para relaxar a mandíbula, não crê no que está acontecendo. Para ela, é muita ironia o trouxa não ter ejaculação precoce. Quando Edward faz menção de que vai começar o falatório novamente, Vivian interrompe dizendo que o tempo dele acabou e que vai embora. Ele então pede para que ela fique aquela noite, o preço não será problema.
Na manhã seguinte, pouco antes das seis horas, Vivian, que não dormiu um minuto sequer durante a noite, se levanta toda dolorida. O maxilar ainda dói do boquete longo que ela não terminou, os braços estão cansados de uma tentativa de punheta para fazê-lo dormir que obviamente também não funcionou e os ombros estão moídos porque Edward quis dormir abraçadinho a noite toda com ela. De pé, em frente à cama, com a maravilhosa sensação de corpo livre, ela percebe que Edward ainda está apagado no sono. Aproveitando o momento, ela pega sua bolsa com o dinheiro que ele pagou, recolhe sapatos, cinto e ainda leva, de lembrança daquela noite, um dos Rolex que estava em uma mala aberta sobre o sofá.
Cruzando o saguão do hotel, cantarolando mentalmente a música Girls Just Want to Have Fun, Vivian é parada pelo gerente que diz estar recebendo ordens do hóspede da suíte presidencial para não deixa-la sair. Em pânico, ela ameaça um escândalo, dizendo que é um país livre, que pode ir onde quiser, quando quiser, com o que quiser. Porém isso só dura dois minutos, tempo suficiente para um dos seguranças chegar e dar um safanão na orelha dela, “O que foi que você roubou dessa vez, sua putinha de merda?” diz ele. Antes que ela abrisse o jogo, Edward aparece para apaziguar “Senhores, o que está acontecendo? Não precisa de violência.” ele fala enquanto leva Vivian pelo braço para uma sala anexa ao saguão.
A sós, Edward diz que pediu que não a deixassem sair, pois queria convidá-la para passar o final de semana com ela. Ele explicou que tinha uns eventos sociais para ir, só que, como está solteiro, uma consequência de sua total dedicação ao mundo os negócios, precisava de alguém para fazer companhia. Aliviada com a nova reviravolta na história, Vivian aceita. Edward então diz que tem um compromisso e precisa sair, mas vai deixar com ela um cartão de crédito para que compre uma roupa melhor para poder acompanha-lo.
Três horas depois, Edward é chamado em uma delegacia. O oficial de plantão diz ter prendido uma golpista que roubou seu cartão de crédito e está torrando o limite em várias compras. Recuperado do susto, ele explica que não houve roubo algum, apenas que cedeu o cartão para que ela comprasse algumas roupas. O oficial então o surpreende dizendo que além de gastos com roupas, foram comprados eletrodomésticos, jogo de sofá, cama e armário com porta de correr nas Casas Bahia de Beverly Hills e, não suficiente, a suposta meliante foi detida em uma boca de fumo na companhia de alguns traficantes. Vivian desmente, dizendo que foi vítima de um sequestro-relâmpago e que apenas as roupas foram compradas por ela. Ela ainda alega que quando encontrada com os traficantes, estava na realidade com quem tinha lhe sequestrado. Edward acredita, paga a fiança e a leva de volta para o hotel.
Já no quarto, impressionada com o quanto conseguiu iludir Edward, Vivian resolve recompensar fazendo sexo com ele, que mesmo assim nega, dizendo que estão atrasados para o evento de mais tarde. Ela, visivelmente aliviada pela negativa dele, se arruma rapidamente e o deixa boquiaberto ao aparecer com um vestido vermelho. Para completar a produção, ele a presenteia com um belo colar de diamantes que diz ter sido gentilmente cedido pela loja de joias do hotel.
Chegando à festa, a entrada de Edward com Vivian vira uma atração à parte. As mulheres, sempre invejosas, comentam entre si “É puta com certeza!”. Já os homens, sinceros e muito observadores, falam discretamente “É puta com certeza!”. Philip, advogado de confiança de Edward, pega ele pelo braço e o leva até a varanda deixando Vivian isolada no meio da pista. De uma maneira enfática e quase grosseira, ele se monstra indignado com seu cliente que sumiu durante o dia, exatamente quando tinham eventos importantes para comparecer. Edward se justifica dizendo que estava resolvendo um problema com a Vivian que se meteu em uma enrascada (termo realmente usado por ele). Philip então diz que ela é uma golpista, que o oficial ligou para ele preocupado com Edward estar caindo em um golpe, só que de nada adianta. Edward acredita cegamente em Vivian e chega a se desentender seriamente com seu advogado na tentativa de se explicar.
Abandonado na varanda por Edward que volta à festa, Philip fica refazendo a história na cabeça para melhor entender. Dentre as várias hipóteses, a inocência de Edward estar sendo levada pela malandragem de uma puta de rua é a que mais faz sentido. Ele, mesmo sendo um cara sofisticado e com diferenciada formação, ainda é uma pessoa ingênua sem talento para lidar com mulheres, tão pouco com malícia para discernir a maldade dos outros. Decidido, Philip retorna à festa para abrir os olhos de seu cliente, que acima disto é seu amigo, mas encontra Vivian isolada perto do buffet guardando caviar na bolsa. Então pergunta por Edward e ela responde que ele saiu para falar a sós com um cliente. Aproveitando a deixa, Philip convence Vivian a sair também para conversar a sós.
Os dois estão em uma sala menor, isolada e com a porta fechada. Philip diz a Vivian que já entendeu a dela e que, se não cair fora, não vai ser a polícia que vai chamar, mas uns amigos para darem uma surra nela. Vivian entende o recado, sabe bem que com advogado não se mexe, e diz que vai inventar uma desculpa para ir embora. O advogado então, como todos da categoria, se empolga por ter consigo se impor e tenta ameaça-la mais um pouco, se exaltando ainda mais, até que, quando se dá por conta, está quase violentando Vivian. Ele levanta o vestido dela, que luta contra, mas não tem tanta força. Faz-se um escândalo. Ela grita por socorro. Ele também. Edward entra na saleta acompanhado de outras pessoas que escutaram o escândalo. Eles se deparam com Philip de calças arriadas e Vivian de vestido levantado. Ela grita “Ele tentou me violentar!” e ele também gritando responde “Ela é um travesti!”. As pessoas reparam que existem de fato dois paus amostra na sala e o de Vivian é muito maior que o do advogado. Edward constrangido sai correndo da festa.
Na manhã seguinte, Edward ainda está na delegacia por muitos motivos. Ele responde por acobertar a golpista Vivian liberando a saída dela quando estava detida e agora é considerado cúmplice. O gerente da loja de joias do hotel o acusa pelo sumiço do colar que não foi devolvido ao final da noite como combinado. Na realidade, com a escapada da vergonha que Edward fez, Vivian aproveitou para ir embora com o colar e agora ele precisa ressarcir a loja. Para piorar, uma horda de jornalistas ensandecidos que aguarda pelo milionário que caiu no golpe de um travesti motiva Edward a retardar sua saída da delegacia. Philip avisa que seu celular não para de tocar com os empresários querendo cancelar os negócios que vieram fechar. E, como cereja do bolo, ele nota uma vermelhidão crescente em sua virilha que provavelmente é alguma doença que Vivian lhe passou no boquete.
Sobem os créditos tocando Roy Orbinson. Só que ao invés de Pretty Woman, a música é Anything You Want, You Got It.